ALPHA MOTHERFUCKERS
A TRIBUTE TO TURBONEGRO
Happy-Tom: Turbo has never been a joke / humour band. It's as simple as that. It's all a question of levels of reference. We like to play games, we like to play with words, and we like to play with fear, instinct, style and stupidity. Deathpunk is a way too grandiose genre to be performed in some kind of "Regular College-Joe" context, in a t-shirt and a pair of Wranglers. Rock'n'roll shouldn't be some kind of championship in Earnesty & Down-To-Earthness, but rather a display of magic, brilliance and power. Hm... Kind of like us, come to think of it.
Hank: Yeah, …we have the looks - we have the music...
(Excerto de entrevista algures em www.turbonegro.com)
Tem havido nos últimos anos demasiadas bandas rock a sair da Escandinávia para ser coincidência (também tem havido muito black metal mas isso talvez não venha ao caso. Talvez...). Turbonegro não será talvez um dos nomes mais familiares mas fica aqui o aviso: quem tiver gostos mais inclinados para o rock não deve de maneira nenhuma deixar esta banda passar ao lado (nem por trás...).
Hank Von Helvete, o AliceCooperiano front-man, Euroboy, guitar hero e sex symbol, Happy-Tom, baixista e cabecilha do gang (belo chapeuzinho de marinheiro) mais Rune Rebellion, Chris Summers e Pal Pot Pamparius. Foi esta a última e mais estável formação dos Turbonegro, a maior banda rock a sair da Noruega, terra de Vikings, igrejas incendiadas e, ao que consta, boas pizzas.
Depois de uma mão cheia de singles, sai em 1992 o cru primeiro álbum da banda, "Hot Cars and Spent Contraceptives" cuja sonoridade já faz jus ao termo inventado para designar o seu som, o Deathpunk.
Se na estreia já se detecta um estranho sentido de humor com referências sexuais hardcore 1º escalão, este torna-se mais perceptível no segundo longa duração "Never is Forever" (1994) e todos os seus interlúdios e letras. Neste disco, bem mais conseguido, a peculiar sonoridade e imaginário dos Turbonegro começam aqui a desenvolver-se e a dar que falar para além das fronteiras norueguesas, para não falar em todo o glamour do próprio aspecto visual da banda.
Os Turbonegro começam mais abertamente a flirtar com um imaginário gay, de uma forma bastante peculiar. As fotografias da banda incluídas em "Ass Cobra" (1995), desde a capa a satirizar "Pet sounds" ao famoso nu de Hank lascivamente enrolado numa cobra, levam a brincadeira longe demais mas não se percebe bem em que direcção. Admitindo em entrevistas tratar-se de uma charada para confundir o público, não deixarão mais de ser associados a uma banda gay (ou sendo simpático, apenas kinky). Temas como "Denim Demon" ou "Sailor Man" ajudam à festa assim como as suas maquilhagens e acessórios "VillagePeopleanos". "I Got Erection" é o seu primeiro hit (na Noruega existe este tema como toque de telemóvel) assim como constitui um momento alto(?) dos seus concertos, com Hank a lançar fogo de artifício do seu traseiro.
A música, essa está poderosa e é com o derradeiro álbum de originais "Apocalypse Dudes" (1998) que os Turbonegro sobem na tabela da 1ª divisão do rock, não só escandinavo mas mundial. Aclamado por alguns como um dos melhores discos punk-rock da década, é uma colecção de clássicas canções cheias de pandeiretas, solos endiabrados, letras sobre pizzarias, sexo e vingança e títulos como "Rendezvous With Anus" ou "Good Head" que não deixa ninguém indiferente e causa habituação. Obrigatório.
Dando fim às suas actividades no final de 1998 com a gravação do seu concerto de despedida - o disco ao vivo "Darkness forever" (1999) - a banda termina no seu momento mais forte, como comprovado aqui, e com a sua base de fãs em franco crescimento desiludem muita gente que esperava um sucessor à altura de "Apocalypse Dudes".
O vídeo "Turbonegro - The Movie" que mostra as suas aventuras "...on the road to darkness", é um belo documento sobre a banda em digressão e toda a sua brilhante decadência que os elevava a reis do Deathpunk.
Espera-se um disco com temas raros e alguns inéditos a sair durante 2002, mas para já vão ter que se satisfazer com o inevitável disco de tributo. Verdadeira banda de culto, deixaram saudades e influências em muitas das bandas que por aí andam e que muito justamente resolveram prestar vassalagem aos DeathPunks. Queens of the Stone Age, Nashville Pussy, Therapy?, Ratos de Porão, Zeke ou Supersuckers, entre outros mais improváveis como os Him ou os Satyricon num total de 25 homenagens (mais 10 na edição limitada).
Como em qualquer tributo, as interpretações vão desde as curiosas às realmente boas passando por algumas dispensáveis e é tão aconselhável a fãs das bandas presentes como a simples curiosos que gostem de Punk Rock.
Incluídos na edição estão curiosos e divertidos textos de todas as bandas presentes, assim como um longo e esotérico texto da autoria de Hank, a divagar, entre outros, sobre Jedis, a banda, o seu fim, e ursos pardos. Se perceberem alguma coisa digam-me. A capa da edição foi entregue (e muito bem) ao já colaborador Frank Kozik.
Rui Quintela
(Mondo Bizarre # 9)
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