AMOR BELHOM DUO / ABBC
TUDO EM FAMÍLIA
Os ABBC e os Amor Belhom Duo são duas bandas que se entrecruzam e fazem de certo modo, da parte da grande troupe de músicos que gravita à volta dos Calexico. Ou que engloba os Calexico...
A estória é relativamente simples ainda que aventurosa. Naïm Amor e Thomas Belhom, dois músicos franceses que tinham feito parte da banda hardcore Witches Valley e do colectivo de músicos e actores denominado Cénérations Chaos foram, em 1996,até Tucson, Arizona, Estados Unidos, ter com uma amiga francesa, Marianne Dissard.
Marianne, realizadora de cinema e escritora já conhecia Joey Burns e John Convertino, a secção rítmica dos Giant Sand que eram também os mentores dos Calexico.
Não levou muito tempo para que todos juntos começassem a fazer música. Joey e John parecem, aliás, ter uma inesgotável capacidade criativa. E também servem de inspiração a muito boa gente. Assim em 1997 nasciam os Amor Belhom Duo, cujo nome é formado pelos apelidos dos músicos. Mas este duo é, na realidade, um trio, já que Marianne Dissard é a escritora dos textos das canções.
Qundo Naïm e e Thomas chegaram a Tucson, os Calexico estavam a escrever "Black Light" e os franceses acabaram por escrever alguns temas em parceria com Joey e John. Esses temas, mais uns quantos da autoria de Amor e Belhom, assim como peças a solo de Buns e Convertino acabaram por ser reunidas em "Têtê à Tête", o primeiro álbum dos ABBC. ABBC, nem de propósito, significa: Amor, Belhom, Burns, Convertino.
O disco tem uma atmosfera que não está longe da de "Black Light", mas onde a formação jazzística dos dois bateristas, Belhom e Burns, é evidente. A euforia latina que sopra dos discos dos Calexico também está ausente de "Tête à Tête", um disco que parece de Inverno, mesmo que em Tucson o sol brilhe sempre. O instrumental "The Wrestlers Masque" é um dos melhores exemplos da toada geral do disco e "Girbert" a típica canção de Joey Burns.
Quanto aos Amor Belhom Duo o primeiro álbum de originais, "Wavelab Performance", agora editado na Europa como "Wavelab", foi editado em 1998 e tem um lado pop e lúdico mais acentuado que o trabalho desenvolvido pelos ABBC. Em "Wavelab", o surf cruza-se com sonoridades exóticas e as canções, um misto de negritude e luz, são envolvidas em trémulas orquestrações. O segundo álbum curiosamente chama-se "Amor Belhom Duo" e é mais aparentado com "Tête à Tête". Feito de pequenos impulsos sonoros, de leves toques de bateria, de esfiapados acordes de guitarra, "Amor Belhom Duo" é um trabalho de subtis matizes sonoras.
Raquel Pinheiro
(Mondo Bizarre # 8)
| | |