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THE ANOMOANON
UMA FAMÍLIA FELIZ
A família Oldham (Ned, Paul e Will) tem vindo a dar cartas nos últimos 10 anos no terreno da música country/folk alternativa e os Anomoanon são um exemplo perfeito deste pontificado. São também um exemplo de que os Oldham não apostam unicamente no lado mais introspectivo do country/folk, mas também na diversão e entretenimento que este género igualmente proporciona.

Se Will Oldham, aka Bonnie Prince Billy, tem estado mais na ribalta, os Anomoanon, de certo modo, encarnam mais o espírito de banda dos extintos Palace. Pelo que poderão agradar mais aos saudosos que não conseguiram atingir a simplicidade e subliminaridade do último Bonnie Prince Billy, “Master And Everyone”.

Em “Asleep Many Years In The Wood”, Ned Oldham, agora à frente do projecto, convidou para a sua alegre catarse nomes como Jack Carneal, Willy MacLean e Aram Smith, numa formação clássica de voz, guitarra, baixo e bateria, polvilhada por aqueles sons mágicos que nos remetem para a América profunda. Mas a família, qualquer que seja a geração, não fica esquecida, seja na produção ou nas participações especiais, destacando-se o choro do pequeno Sam em “Sixteen Ways”, ou a singela participação de Will em “One That Got Away”, num daqueles momentos maravilhosamente arrepiantes com vozes sobrepostas a dois tons.

No cômputo geral, não estamos perante um disco com momentos inusitados, apesar de apresentar um bem sucedido galopar até à apoteose nos dois últimos temas. Nomeadamente “A Story”, que chega a tocar os terrenos do rock’n’roll. Mas existem de facto momentos mais particularmente entusiasmantes, sejam as típicas lullabies como “Bluebird of Happiness” ou “Sadie And Rudy”, os divertimentos à la Palace Brothers como “Complaint” ou o muito cantável “Tongue And Heart”, passando por aquele tema que simplesmente nos apetece elevar à categoria de melhor do álbum, como aconteceu comigo face a “Kick Back”, sem qualquer razão aparente. Não estivéssemos nós perante um género de música que deve ser ouvido com o coração e não com a razão. Aliás é emocionalmente que apetece reclamar com os irmãos Oldham pelos seus discos serem cada vez mais curtos. A explicação, mais uma vez emocional, estará talvez no facto deles saberem que ficamos sempre com água na boca e à espera daquilo que o futuro nos poderá reservar. De qualquer maneira, podemos concluir que os Anomoanon se apresentam cada vez melhores com o passar do tempo – tal como o whisky que pacientemente envelhece na contracapa do disco – e de um conjunto de registos musicais que é difícil de seguir. Para acabar com um regresso ao início, se Will apostou num regresso às origens com “Master And Everyone”, Ned preferiu dar largas ao seu lado festivo. Os dois álbuns acabam por funcionar em sentidos distintos mas complementares, sendo assim duas pérolas para todos os apreciadores do género. E para todos os apreciadores de música feita em família e por amor à própria música.

Vasco Durão
(Mondo Bizarre # 17)