...AND YOU WILL KNOW US BY THE TRAIL OF DEAD
APOCALYPSE NOW
A capa e o nome da banda que, confesso, me era desconhecida, deixaram-me muito desconfiado quanto ao conteúdo deste disco. A capa fez-me lembrar um jogo de computador de aventuras fantásticas. O nome, que foi composto a partir do nome da banda de uns amigos, chamada "The Prophet No Lord Shall Live", soou-me algo pretensioso e descabido. E o nome do disco fez-me sentir "like a virgin".
Contudo, e como não gosto de me deixar levar pelas primeiras impressões, lá peguei no CD e introduzi-o na aparelhagem. As colunas foram as primeiras a manifestar-se ruidosamente sobre o conteúdo. Ao fim dos primeiros momentos, já a minha boca começava a abrir de espanto: mas afinal os Jesus Lizard não tinham acabado?
Uma boa razão para perguntar: quem são os And You Will...? São quatro rapazes (Conrad Keely, Kevin Allen, Jason Reece, Neil Busch) originários de Austin, Texas, tão loucos como a banda rock mais original e controversa dos EUA, também texana, os Butthole Surfers. Ou seja, os And You Will... têm todos os elementos de uma tradicional banda de rock, mas explodem muito para além disso. Produzem sons sónicos, explosivos e apocalípticos, onde todos tocam tudo e todos cantam, num verdadeiro espírito democrático. Já que estamos em período de jargão, os And You Will... representam o novo punk do novo milénio.
"Madonna" é o segundo álbum da banda, após um primeiro, editado em nome próprio, na editora de King Coffey dos já mencionados Butthole Surfers, a Trance Syndicate. O disco, que tem algumas reminiscências de Girls Against Boys, Jesus Lizard ou Fugazi, é composto por 13 faixas que alternam grandes temas épicos, com pequenos interlúdios quase imperceptíveis, e que atribuem uma grande coesão ao disco, apesar dos pouco mais de 45 minutos de duração. Ou seja, não estamos perante um simples disco, mas perante uma obra de peso.
Dizem aqueles que já testemunharam esta locomotiva supersónica ao vivo, que os And You Will... são o cruzamento dos The Who dos primórdios, com os MC5, os Jon Spencer Blues Explosion e os Sonic Youth quando eram jovens. Não tocam mais do que meia-hora, deixando na plateia um rasto não só de mortos, mas também de surdos. Mas acima de tudo, deixam o rasto de uma plateia agradecida e que tão cedo não se esquecerá da experiência. Para variar, nós por cá temos que continuar a apanhar com os festivais para teenagers novos e velhos, onde os cabeças de cartaz são bandas como os Bush ou os Iron Maiden. Para quando mais concertos em salas pequenas como aconteceu recentemente com os Trans Am, ou longinquamente com os Fugazi? Os An You Will... seriam uma óptima ocasião para Portugal recomeçar a ter concertos de jeito e não empacotados a granel.
Vasco Durão
(Mondo Bizarre # 4)
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