AROAH
AMIZADE À PRIMEIRA AUDIÇÃO
De "nuestros hermanos" vem-nos um belíssimo disco pela mão de Aroah, pseudónimo de Irene Tremblay, uma rapariga com notáveis capacidades na tradição "singer/songwriter", que concretiza em belas canções cantadas em inglês e ocasionalmente em espanhol.”No Podemos Ser Amigos” é, sem dúvida, uma auspiciosa estreia.
A cena musical espanhola teve, ano transacto, motivos para ficar surpreendida com o EP "Cuando Termines con Todo, Habrá Terminado Contigo", estreia de Aroah, ou melhor, de Irene Tremblay, rapariga com cerca de vinte anos sediada em Espanha mas que tem como língua materna o inglês, e possuidora de talento para dar e vender na escrita de boas canções.
Daí que tal estreia lhe tenha valido o reconhecimento de melhor EP nacional pela revista Rockdelux, um outro e EP compartilhado com Nacho Vegas "Seis Canciones desde El Norte", convites para tocar em Amsterdão e Paris e mesmo uma mini-digressão pela costa oeste norte americana. E de facto é à folk e sobretudo à indie-pop que Irene Tremblay vai beber inspiração para compor canções possuidoras dum apurado sentido melódico. Temos então como testemunho disso o seu primeiro álbum, "No Podemos Ser Amigos", registo com catorze temas ao todo, tendo apenas três em castelhano (parece-nos que para momentos mais calmos e cândidos)e dez em inglês (o restante tema é intrumental), havendo dois duetos, um com Nacho Vegas ("Canción com Idioma") e o outro com Abel Hernández (em "Whiskey"), e contando-se ainda com a participação de Frank Rudow, (músico dos Viva Las Vegas e dos Manta Ray). Aqui conta-se então com canções de primeira água, excelentes melodias de cariz indie-pop, que assentam em intrincadas guitarras, na sua base acústicas mas também com cadências e dolências melódicas um pouco ao jeito duns Mazzy Star. Em "No Podemos Ser Amigos" há ainda espaço para subtis, quase que ausentes electrónicas e teclados, mas realçando-se sim o bom desempenho técnico na guitarra de Tremblay. E a par das guitarras, é também a voz de Irene que dá o mote, sendo bonita e dolente, calma mas muito expressiva, lembrando-nos por vezes a Mirah ou a Tara Jane O'Neil. As letras, essas falam de complicadas relações amorosas e do universo que gira à volta destas, da vingança, da desilusão, arrependimento, do desejo, do ciúme, estando presente a melancolia mas ausente uma certa depressão cliché, talvez culminando tudo isto na conclusão de que após tais conturbações, a amizade é impossível.
Bem, no nosso caso foi amizade à primeira audição, pois "No Podemos Ser Amigos" é um disco que nos capta a atenção desde logo, dir-se-ia mesmo um pouco viciante e que por isso não merece passar ao lado, sobretudo dos palcos portugueses.
Ana Gandum
(Mondo Bizarre # 13)
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