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ASH
BANG! BANG! POP! POP!
"Free All Angels", o terceiro longa duração dos Ash, é uma síntese entre o espírito pop de "1977" e o rock de "Nu-Clear Sounds". O quarteto irlandês, liderado por Tim Wheeler, volta assim aos tablóides da cruel imprensa britânica.

Os irlandeses Ash são mais uma daquelas bandas que por lusas terras pouco impacto têm. Como é sabido, lá pela verde Irlanda e pela grande ilha do lado, aparecem em tudo quanto é capa de jornal, revista, tablóide ou programa de televisão.

E também é certo e sabido que Tim Wheeler, o guitarrista vocalista e Charlote Hatherley, a guitarrista, são dois ícones, dois sex symbols tanto aos olhos dos admiradores como da comunicação social.

Mas há mais do que imagem nos Ash, ainda que isso, a imagem, seja um dos componentes determinantes do todo. Dos corpos pintados do trio - quando "1977 foi editado Charlote ainda não fazia parte da banda -, no vídeo de "Girl From Mars", à foto do quarteto no New Musical Express, onde Tim empunha, de braço levantado, uma pistola, sem esquecer o erotismo escaldante que aparece no clip de "Numb Skull", prontamente banido das televisões. Tudo isso fez com que os Ash sejam sempre conotados como uma banda de rufias, Charlote incluída, que gosta de praguejar, de beber até cair para o lado, de sexo e drogas. E que não faz nenhuma questão em passar por intelectual. Mark Hamilton até não se importa de confessar que os livros lhe derretem a cabeça. E, claro há as festas, as farras e os concertos.

"Free All Angels" é um disco de riffs fortes, melodias cantaroláveis, refrões fáceis de memorizar, sem pretensões a outra coisa que não um disco de pop-rock para se ouvir sem haver preocupações com o conteúdo das letras ou com a posição política do grupo.

E depois? Depois nada. Às vezes umas quantas canções bambolenates, quentes e alegres são tudo o que se precisa para se começar o dia com um sorriso nos lábios. Por vezes, deixa de haver paciência para bandas profundas, cheias de significado, que se esquecem, ou nunca souberam que a pop é para desanuviar e o rock pode ser apenas uma sensação que nos entra no corpo.

Está bem, a seguir vou ouvir os Sigur Rós e ler o "Guerra e Paz", mas por ora, fico-me com os descomprometidos e "party goers" Ash.

Raquel Pinheiro
(Mondo Bizarre # 7)