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THE ATOMIC BITCHWAX
UM DESVAIRO PSICADÉLICO
O nome da banda não diz muito, mas se à frente colocarmos que é um projecto de Ed Mundell, guitarrista dos Monster Magnet, por certo que a curiosidade fica aguçada.

Quando falamos dos Monster Magnet, a única personagem que nos salta à vista é a de Dave Wyndorf, não só pelo facto de ser o lider, compositor e produtor da banda mas também pela figura carismática que é. Dos outros elementos da banda nem se fala, ou melhor, falava, já que com a edição do primeiro álbum dos Atomic Bitchwax as coisas mudaram de figura.

Confesso que desconfio sempre que um elemento de uma banda faz editar projectos paralelos à sua banda de eleição, ainda por cima quando o seu papel nessa mesma banda é secundário. Por isso, quando recebi o ábum de estreia homónimo deste trio liderado por Ed Mundell, foi com alguma desconfiança que o coloquei no leitor de cd's. A surpresa não podia ser maior. O disco é absolutamente fantástico.

Curiosamente, a estória dos Atomic Bitchwax, remonta a 1992 quando Ed Mundell dos Monster Magnet e Chris Kosnik dos Godspeed se juntaram ao baterista Keith Ackerman, para juntos desbundarem horas a fio sob o efeito dos mais variados tipos de drogas. A sonoriade que emrgiu dessas jam sessions foi um retro-rock psicadélico, estilo que se tornou num rumo para a banda. Nos dois anos seguintes gravaram algumas demos sempre que os trabalhos das suas bandas principais o permitiam. Surgem ainda os primeiros concertos com bandas tão dispares como os Clutch, Brutal Truth, Eyehategod, Nebula ou Shine.

Sempre com uma atitude "low profile", gravam o tema "Hey Alright" para a compilação "Welcome to Meteor City". As críticas não lhes poupam elogios, referindo a frescura e emotividade com que praticam um estilo tão datado.

Gravado em 1998, o álbum de estreia dos Atomic Bitchwax transpira a Kyuss, bebe nos Led Zeppelin e cospe Black Sabbath. A voz rouca de Chris Kosnik, confere aos temas uma subtil agressividade. Aos riffs, poderosos como montanhas, podemos juntar a influência dos blues e do psicadelismo e uma produção perfeita de Eric Rachel (Core, Electric Frankenstein), conferindo ao álbum uma vivacidade que há muito não encontrávamos em discos deste estilo. Stoner-rock para o próximo milénio.

Raquel Pinheiro
(Mondo Bizarre # 1)