LES BATON ROUGE
MULHERES AO PODER
Com o álbum "Women Non-Stop" já disponível nas lojas, as Les Baton Rouge estão prontas para conquistar um lugar ao sol na cena punk-rock. Numa altura em que a banda se prepara para uma digressão americana, onde, pelo meio, irão aproveitar para gravar o segundo longa-duração com o produtor Tim Kerr, importa descobrir esta promissora estreia.
Quem acompanhou as movimentações do underground nacional na década passada, certamente que se recorda das Everground, dignas representantes lusas da então emergente cena riot-grrrl que começava a fazer estragos nos Estados Unidos e atraír as atenções da imprensa mainstream. Se bem que com uma existência breve, as Everground foram (ao lado das Voodoo Dolls) responsáveis por devolver ao rock feito por cá, uma presença feminina plena de atitude anti-conformista e disposta a desafiar um universo musical dominado por homens (a propósito, alguem é capaz de explicar porque é que continua a haver tão poucas mulheres em bandas rock portuguesas?).
Após a separação das Everground, a vocalista e guitarrista Suspiria Franklyn decide formar as Les Baton Rouge em 1998, juntando-se a membros da banda punk Kiute Loss, dando assim continuidade à sua missão de, através da música, encorajar as mulheres a envolverem-se no mundo artístico, tornando-se activas e expressando a sua feminilidade, o que não deixa de ter importância num país com elevados níveis de apatia. Após o lançamento de alguns CD´s promocionais e um single editado na espanhola Munster, o grupo (actualmente dois rapazes e duas raparigas) aposta em digressões por terras de Espanha e França e também em território nacional, e de imediato começam a receber elogios pela postura enérgica e confrontacional que caracteriza a banda em palco.
O álbum de estreia chama-se "Women Non-Stop" (o título diz tudo acerca das intenções da banda) e é um manifesto punk que, sem avançar com novos caminhos para a renovação do género, cativa não só pela sua sinceridade, mas também por ser capaz de juntar de forma feliz diferentes períodos da história do punk, da explosão de 77 passando pela new wave até ao já referido movimento riot-grrrl. Por aqui ouvem-se ecos de Babes In Toyland, Bikini Kill, Slits ou Siouxie And The Banshees. Gravado com um orçamento reduzido (afinal de contas, isto é punk-rock!), "Women Non-Stop" está longe de ser um álbum brilhante, mas a aposta numa linguagem própria está definitivamente ganha. Temas como "Velvet Barbered Wire", "Coming Closer", "Mad-Moiselle" ou "C'est quoi ça" deixam no ar uma boa sensação de estarmos perante um colectivo com ideias e disposto a surpreender.
Nuno M. Castêdo
(Mondo Bizarre # 11)
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