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THE BELLRAYS
MAXIMUM ROCK'N'SOUL
De vez em quando aparecem bandas destas a reclamar a paixão pelo rock e a desconcertar uma geração habituada à segurança das playlists habituais. Ouvir os Bellrays é como levar uma joelhada de James Brown em cheio nos tomates!

"Music is NOT what you see on MTV". A autora destas sábias palavras é Lisa Kekaula, a impressionante vocalista da melhor reincarnação dos MC5 da actualidade. Munida de uma garganta que lhe chega até à alma, e acompanhada pelo seu marido Bob Vennum no baixo, mais Ray Chin, um baterista de jazz convertido, e Tony Fate, o guitarrista, que conta no currículo uns garageiros Grey Spikes, temos a constituição da melhor banda de rock'n'soul do mundo. Numa altura em que o peso e/ou energia e/ou carga emotiva de determinadas bandas, ou os seus discos, são fabricados em grandes estúdios por profissionais a uma escala industrial digna de qualquer produto de grande consumo, é bom levar com um álbum que lembre que não é preciso sequer um estúdio para se fazer boa música. "Let it Blast." foi gravado em condições mínimas extremas, ou seja, directamente da sala de ensaios para um gravador de cassetes, e depois lançado pela editora pertencente à própria banda, a Vital Gesture. O som da falta de produção é notório, mas não retira um pingo da intensidade que predomina em todo o disco. Quando, hoje em dia, a grande parte das "novas" bandas rock obedece a um formato estandardizado que, para além de redutor da alma criativa leva ao irritante anúncio sazonal da "morte do rock", os Bellrays não têm medo de incorporar uma variedade de elementos e ritmos que vão desde o funk ao jazz, por exemplo. Tudo o que vier aguenta a impressionante voz de Lisa Kekaula, vocalista por excelência que respira soul até ás pontas do seu penteado afro.

Numa descrição redutora (mas eficaz), os Bellrays soam como Aretha Franklin ou Tina Turner (ou até Janis Joplin) a cantar com os MC5 ou os Stooges. Sabendo que o punk rock precisa, por definição de levar abanadelas destas, e de se reinventar constantemente (como tantas bandas - mais tarde reconhecidas- que se tornaram grandes nomes por isso) ganham uma menção honrosa por fugirem ao "franchising" que é a actualmente a grande parte de qualquer sonoridade dita "indie" ou "punk", indo mais longe, tanto na originalidade do seu som, como na capacidade de escrita de grandes canções Rock. A discografia dos Bellrays consiste até agora no obrigatório álbum "Let it Blast" e num split CD com os Streetwalkin' Cheetahs (mais uma banda fortemente influenciada pelos MC5) e mais meia dúzia de singles. O ansiado sucessor de "Let it blast" está prestes a sair e já tem nome. Vai chamar-se "Grand Fury". FUTURE NOW!!!

Rui Quintela
(Mondo Bizarre # 5)