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BONNIE PRINCE BILLY
PELA ESTRADA FORA
Março de 2001 fica para o futuro como um mês a recordar. Não é todos os dias que se tem o prazer de ver e ouvir Will Oldham e os seus acólitos. Primeiro foi o inesquecível concerto no dia 20. Logo a seguir, "Ease Down the Road", o álbum novo que nos impele a recordar toda a obra musical de um músico multifacetado, mas desde sempre coerente no carácter pessoal e melancólico da sua música e dos seus poemas.

No início foram as várias facetas dos Palace ao longo dos anos 90, por detrás das quais se escondia um músico discreto de seu nome Will Oldham. O primeiro e único álbum em nome próprio, "Joya", surgiu já em 1997 e foi o mote para uma afirmação mais pessoal. "I See A Darkness", deu à luz uma nova identidade - Bonnie Prince Billy - que veio confirmar a superior qualidade deste músico. "Ease Down The Road" mostra o caminho a seguir: a perfeita integração do country e do folk mais profundamente americanos, com um toque de rock independente. Uma fronteira perigosa que só um compositor e poeta talentoso como Will Oldham se pode atrever a cruzar.

"Ease Down The Road" é sem dúvida o álbum mais cuidado em termos de produção da já longa carreira de Oldham, com músicas de uma qualidade muito homogénea e com um conjunto de acompanhantes de luxo, entre os quais se contam David Pajo, Ned Oldham, Jon Theodore, Matt Sweeney, entre muitos outros. Se se perdeu um músico mais puro no seu estilo, ganhou-se outro com uma experiência cada vez mais apurada.

Experiência na arte de escrever poemas: ao longo das 12 faixas que compõem o álbum, podemos encontrar retratos sexuais e histórias de amores perdidos e achados, a omnipresente solidão, para além da constante procura espiritual. Letras que nos conduzem à beira do precipício, mas que no último momento nos devolvem à esperança. Pérolas negras numa imensidão de luz, que nos intrigam durante sucessivas audições.

Experiência na arte de compor canções: as melodias que Oldham compõe como ninguém são sobretudo pautadas por guiitarras acústicas, banjo, violino e piano, com alguns discretos efeitos e muitos coros a acompanhar a voz principal que surge cada vez mais consistente. A fórmula pode parecer básica, e em muitos casos, que não este, até pode conduzir à banalidade. A diferença está em que Oldham é como os melhores cozinhados: a receita é simples; a arte está no toque pessoal do artista.

E o melhor de tudo é que não há que ficar expectante face às estradas que Oldham vier a trilhar no futuro. O caminho há de ser tão ou mais prazenteiro que este. A única certeza é que "Ease Down The Road" fica desde já catalogado como um dos discos mais refrescantes de 2001.

Vasco Durão
(Mondo Bizarre # 7)