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CHE
A LIBERTAÇÃO
Depois de um álbum a solo, Brant Bjork, o ex-baterista dos Kyuss, actualmente nos Fu Manchu, volta a carga com os Che. “Sounds of Liberation” é a promissora estreia de um projecto que inclui outros notáveis do stoner rock.

Se quisermos ser práticos, podemos dizer que os Kyuss acabaram para bem do rock. De uma banda que nunca quis ser o que queriam fazer deles, saíram mais projectos do que a conta de elementos que compunham o grupo. Para nomear apenas alguns, tivemos do lado de John Garcia os Slo Burn, Unida e, para breve os Hermano, de Josh Homme as Desert Sessions e os Queens Of The Stone Age, de Nick Oliveri os Mondo Generator, Brant Bjork passou para os Fu Manchu e durante este tempo editou "Jalamanta", o seu disco de estreia a solo, e agora, juntamente com Alfredo Hernandez (outro ex-Kyuss, que também faz parte das Desert Sessions e dos Queens of The Stone Age) e Dave Dinsmore (dos Unida) tem os Che. Se a isto acrescentar-mos uma série de colaborações, estamos perante uma autêntica indústria rock, onde tanto cabem as experiências sónicas como perfeitas canções daquelas que ficam para sempre na nossa memória. E qualquer um dos senhores atrás citados é especialista nesta matéria, com curso tirado na universidade de milhares de quilómetros de estrada e outros tantos em horas a estudar a história da música do século XX.

Brant Bjork, tal como Nick Royale (Hellacopters), Dave Grohl (Foo Fighters) ou Dale Crover (Altamont), assume o papel de vocalista e guitarrista dos Che em contraponto com a função de baterista que desempenha nos Fu Manchu, e volta a surpreender pela positiva como já havia acontecido no seu disco a solo.

Mais do que um grupo de notáveis, o projecto Che é um manifesto. Uma afirmação de três músicos experientes, mas habituados a andar debaixo da alçada de outros compositores. A economia de meios, reduzindo as coisas ao quarteto voz, guitarra, baixo, bateria, é compensada pela eficaz simplicidade das canções, e por uma produção discreta mas coerente, deixando fluir os temas sem grandes altos e baixos.

Não seria difícil comparar "Sounds Of Liberation" ao primeiro disco dos Queens Of The Stone Age, pela maneira como foi pensado e executado, e pela maneira como abre a porta da frente e nos deixa ver um pouco daquilo que o próximo álbum nos reserva.

Hugo Moutinho
(Mondo Bizarre # 5)