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DANZIG
Pequena Grande Voz
Glenn Danzig tocou a merecida fama por escassos segundos, apoiou-se nos méritos do seu passado, usou da persistência e quase tocou o céu, mas como anjo caído que se anuncia, rapidamente perdeu as asas e mergulhou no desconhecimento das massas. Ensaia agora um novo regresso com “I Luciferi”.

"I Luciferi" marca o regresso de Glenn Danzig, um vocalista pequeno na estatura, grande na voz e imenso na fama do seu mau feitio e despotismo. Quase uma estrela poderíamos afirmar! Porquê? Perguntam desse lado, porque Glenn Danzig é o elo perdido na transição de Ozzy Osbourne para Marilyn Manson. Ícone do goth punk nascido na outra margem do Atlântico, Danzig foi, em1977, o fundador dos californianos Misfits, um grupo que na época passou praticamente desconhecido, mas que a partir de meados da década de 80 foi alvo de uma recuperação mais estilística que musical, ao ponto de hoje muitos reconhecerem um dos símbolos representativos da banda, do que a sua própria música! Hoje os Misfits estão de novo reunidos, mas sem o seu vocalista.

Após a aventura Misfits, Danzig resolve fundar os Samhain, mergulhando pouco depois no desconhecimento completo. Em virtude da popularidade atingida pelo grupo na década de 80, Glenn ingressa numa carreira a solo com selo da Def Jam Recordings, mais tarde transformada em American Recordings. Lá inicia uma série de trabalhos homónimos, numerados e subtitulados: "Danzig" (1988), "Danzig II - Lucifuge" (1990) e "Danzig III -- How The Gods Kill" (1992). A sua voz poderosa, aliada a um ambiente musical pesado, por vezes soturno, acaba por reunir um leque de curiosos e admiradores. A viragem da década de 80 para a de 90 revela-se auspiciosa, com o vocalista a ver-se alvo de uma popularidade nunca antes atingida, a qual só aumenta com a popularidade do tema "Mother", graças a um pequeno empurrão de uma série da MTV.

Estamos em 94, ano de "Danzig 4", altura em que o artista atinge o pico da fama e das vendas. O grau de atenções de que é alvo acaba por despoletar pequenas querelas e críticas sobre o seu comportamento e atitude - Glenn é extremamente egocêntrico e possui complexos relativamente à sua estatura - o que leva a que aos poucos os músicos o abandonem. Com nova banda e tentando chegar a mais audiências, no seu trabalho de 1996, intitulado "Danzig 5 - Blackacidevil" mergulha nas ondas industriais, e praticamente perde toda a sua base de apoio. 1999 assiste à tentativa de regresso às origens com "Satan's Child" e 2002 vê surgir "Danzig 7 - I luciferi" um disco em que a voz permanece poderosa, se pisca o olho a Red Hot Chilli Peppers - "Wicked pussycat" o tema do vídeo ou "Black Mass"… - mas em que também está presente o seu som mais característico através de temas como "Halo Goddess Bone" ou "Whithout Light, I Am" num disco desigual, por vezes monótono, mas denso que baste e mostrando ainda existir vida na personagem de Danzig. Será que tudo o que desce volta a subir?

Emanuel Ferreira
(Mondo Bizarre # 12)