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DETROIT COBRAS
Maximum Retro Soul!
Homenageando a sua cidade natal com os ritmos que a puseram inicialmente no mapa musical, os Detroit Cobras não devem ser subestimados. Especializados em tocar versões de obscuros temas de soul e rhythm'n'blues explosivo passados pelo filtro do garage, punk ou rockabilly, são mais que a habitual banda de versões.

Os Detroit Cobras nasceram em 1996. As únicas sobreviventes do início do grupo são o núcleo duro constituído pela guitarrista Maribel Restrepo e pela potente vocalista Rachel Nagy, que entrou para a banda por acaso, após uma feliz brincadeira num ensaio. Apesar dos seus sete anos de existência, os Detroit Cobras apenas gravaram dois álbums: “Mink, Rat or Rabbit” (1998) e “Life, Love and Leaving” (2001), aos quais se segue o recente EP “Seven Easy Pieces”. Pouco frutíferos em estúdio, os seus múltiplos e suados concertos já trouxeram aos Detroit Cobras um enorme culto. O actual hype associado a tudo que seja de Detroit deverá aumentar-lhes a fama, se bem que o que se passa aqui pouco ou nada tenha a ver com os White Stripes ou o resto das bandas incluídas no saco do “novo rock”.

De facto, os Detroit Cobras soam a algo de novo, passe o pormenor de o seu som ter os mesmos anos que a mítica editora conterrânea Motown. Quanto a comparações, escolha-se os Bellrays de “In The light Of The Sun” ou os Now Time Delegation, mas com a voz de uma Wanda Jackson mais fumadora, bebedora e vivida. Entre o soul de garagem e os momentos mais próximos dos blues, contem com calorosos coros, palmas e pandeiretas. Diz Greg Oblivian, que participa no bluesy “Insane Asylum: “Gosto que a nossa música não tenha nenhuma mensagem, além da que me leva a dançar, divertir-me e encontrar uma bela rapariga para beijar e apaixonar-me”. Reminiscência do quão divertido o rock’n’roll costumava ser. Em Detroit já não há memória de festas destas desde os tempos áureos de Mitch Ryder e os seus Detroit Wheels.

Obviamente, a partir do momento em que os Detroit Cobras alcançaram algum sucesso, não faltaram os detractores do costume a apontar o facto de o grupo não escrever o seu próprio material. Responde sem pejo a guitarrista Mary Restrepo: "Já estive em várias bandas e a verdade é que não há assim tantos génios musicais como as pessoas pensam, por isso nem toda a gente devia escrever canções”. Rachel vai ainda mais longe: "Não vou fingir que tenho algo de novo para dizer." Assim, concentra as suas capacidades em conduzir a paixão de boas canções, tenham elas a idade que tiverem, tenham sido escritas por quem quer que seja. De qualquer maneira, quase ninguém conhece os originais, pois nenhum desses temas é um êxito ou teve grande exposição mediática. Aliás, depois de gravarem “'When You Walk in the Room” de Jackie DeShannon – cantor soul dos anos 60 – este, bem impressionado, ofereceu-se para escrever temas para o próximo disco da banda. Como qualquer banda de versões, e a fazer fé nos exaltados relatos vindos de todos os que os viram, é ao vivo que os Detroit Cobras fazem sentir todo o seu poder.

Rui Quintela
(Mondo Bizarre # 15)