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DIRTBOMBS
OS HOMENS DE NEGRO
"Ultraglide In Black", o segundo álbum dos norte-americanos Dirtbombs, é mais um marco na carreira de Mick Collins e exibe um misto de blues e música soul bastante cru e apetecível. Uma nova encarnação da alma por trás dos King Sound Quartet ou dos Gories.

Mas, perguntam vocês, quem é Mick Collins? E quem diabo são os Dirtbombs? Enfim, este artigo devia ser sobre "Ultraglide In Black". Só que é, no mínimo, justo fazer a apresentação de Collins, pois a menos que se seja um fã dos Gories ou dos King Sound Quartet, é de duvidar que se tenha alguma vez ouvido falar do homem.

Mick Collins nasceu em Detroit, cidade natal da Motown, dos MC5, dos Stooges e que mais tarde teve uma cena techno e house muito própria. E todas essas referências, juntas à enorme colecção de discos que o pai de Mick juntou e ao muito tempo passado a ouvir as rádios de Detroit no final dos anos setenta, início dos anos oitenta, fizeram com que Mick fosse "alimentado" a música desde criança. O rapaz nunca se fez rogado e foi ouvindo tudo o que lhe aparecia pela frente. Dos blues de John Lee Hooker e Muddy Waters até aos Duran Duran de "Girls On Film", aos Kraftwerk ou Devo.

Até que um dia Mick conheceu gente que ouvia os Temptations e muitas outras bandas soul. Com os mod de Detroit nasceu o interesse de Mick Collins pela soul. Com tal junção de influências não é de admirar que tenha estado por trás de bandas tão díspares como os Floor Tasters, Gories, King Sound Quartet, The Screws e, claro, os Dirtbombs.

Os Dirtbombs já tiveram milhentas formações, e só Mick fez parte de todas elas. Jim Diamond, o actual baixista, está no grupo há longo tempo e o baterista Pat Pantano que integrou a formação original está de volta. E se os músicos estão sempre em rotação há pelo menos uma constante em todas as bandas de Mick Collins: cada uma delas tem que fazer pelo menos uma versão de uma canção da Motown. Outra curiosidade é desde que Jim apareceu em cena quase tudo o que é disco onde Mick Collins entre é gravado no Ghetto Recorder, o estúdio pertença do baixista.

E chegamos aos discos. O primeiro álbum dos Dirtbombs, "Horndog Fest", ainda invocava tempos mais anárquicos. Com "Ultraglide In Black", Collins completa o círculo de géneros e influências. Passados os tempos do experimentalismo, do som low-fi, do punk e de tudo o mais que cabe na sua bagagem musical, Mick Collins abraça a soul juntamente com os blues, que o próprio reconhece serem as raízes da sua gente. Mas aqui soul não é sinónimo de harmonias vocais polidas e resplandecentes, ao modo dos grupos masculinos e femininos da Motown. É mais um som árido, visceral, cheio de groove, força e alma. "Ultraglide In Black" é isso mesmo, um desfilar de notas e tons onde os instrumentos e a voz não param, tornando o disco num magnífico pedaço de música para a alma e para o corpo. Se há coisa que se pode dizer de "Ultraglide In Black" é que é sexy. Muito sexy mesmo.

Lorena Star
(Mondo Bizarre # 8)