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EAGLES OF DEATH METAL
PIADA DE CASERNA

“Peace Love Death Metal”: quatro elementos fundamentais à vida do homem moderno. Ou, pelo menos, a afirmação de existência dos Eagles Of Death Metal, o que será para muitos a encarnação de mais um projecto paralelo do sempre surpreendente Josh Homme, dos Queens Of The Stone Age. A verdade é que nem tudo é o que parece neste “boogie-sex-rock” saído do círculo de amigos das “Desert Sessions”.

Do forno sempre quentinho da malta da “desert scene” (Queens Of The Stone Age e amigalhaços) sai mais um “cookie”: o trio Eagles Of Death Metal, isto é, Mr. Jesse “The Devil” Hughes; Mr. Baby Duck, também conhecido como Carlo Von Sexron (ou ainda mais conhecido como Josh Homme) e Tim VanHamel, guitarrista que também partilha funções nos Millionaire.

Reza a história que o projecto nasceu após insistência de Josh Homme – que está sempre “deserto” por mais uma colaboraçãozita e aqui cumpre as funções de baterista –, junto do amigo de infância Jesse (o auto-apelidado mafarrico), para que revelasse as suas canções de boogie-sex-rock ao mundo. A coisa começou por piada com uma mera participação nas reconhecidas “Desert Sessions” (vols. 3 e 4) editadas no já longínquo ano de 1998. Entretanto o projecto desapareceu de vistas enquanto os Queens Of The Stone Age se dedicaram a conquistar o mundo com um trio de excelentes álbuns e inúmeras digressões.

Agora, após muitas tentativas e erros e alguma persistência de Homme, emergem finalmente com um álbum em nome próprio onde se incluem 14 canções de Hughes e uma versão de “Stuck In The Middle With You”, único êxito dos refundidos Stealers Wheel.

E a escolha de uma versão como esta não é nada inocente. O groove pacóvio e a toada “honky tonk” de “Stuck In…” é uma excelente inspiração para um colectivo que afirma pretender sobretudo fazer abanar as ancas ao pessoal e divertir-se um bocado.

Não é coisa para levar muito a sério, portanto. Talvez uma forma de distrair o coitado do Jesse “The Devil” Hughes, que entretanto se tinha divorciado e precisava de alguma acção, em particular no campo sexual. Daí que estas canções vivam muito do espírito de engate, quando não mesmo da própria ambiência da dor-de-corno. Por isso mesmo remetem para o sul dos USA, para os bares de beira de estrada, e para uma certa sexualidade saloia, que neste caso goza com os seus próprios tiques.

Amante reconhecido da borga e da ideia de não se levar demasiado a sério, Josh Homme, não resistiu a impulsionar este projecto liderado pelo “diabo do bigode” e vá de emprestar o seu groove meio desengonçado, meio sexy ao colectivo. O que era “robot rock”, nos Queens Of The Stone Age, passa aqui a “sex rock”, que é como quem diz, a sonoridade geral dos Eagles Of Death Metal passa por uma espécie de versão semi-acústica e cacofónica do que se pode ouvir em muitos momentos da discografia dos Queens.

O metal foi-se (o death metal pelos vistos nem chega a aparecer) e o que fica é uma música desengonçada e crua, cantada maioritariamente num tom de falsete e que por vezes julga ter mais piada do que realmente tem. Ouvido com alguma insistência chega-se à conclusão que se é verdade que há aparentemente uma fonte de criatividade inesgotável nesta malta, também o é o facto de o mundo realmente não ter absolutamente necessidade dos Eagles Of Death Metal. Para os admiradores e cultores da “desert scene” pode dizer-se que são uma espécie de “piada de caserna”…

Jorge Dias
(Mondo Bizarre # 19)