ELASTIC VOID
PLANETA ELECTRÓNICO
Rui Gato é o nome de um jovem músico autodidacta que se está a afirmar, paulatinamente, no seio da música electrónica nacional. Desmultiplica-se por diversos projectos, ideias, conjugações, abordagens. Gato aparenta, pois, ter 7 vidas artísticas distintas. E não vem mal ao mundo por isso...
O panorama da música electrónica em Portugal continua a desenvolver-se a um ritmo considerável. Pululam projectos, editoras, concertos, edições discográficas. E ainda bem. Uma dessas editoras particularmente preocupadas na divulgação dos novos valores da música electrónica em Portugal tem sido a mono¨cromatica. A edição da compilação “Volun” (Março de 2002) permitiu a descoberta de novas propostas estéticas (Outersites, Americans Are Dangerous, Atom Size Elephant, Elastic Void...) e abrir horizontes de progressão e de afirmação num mercado saturado de propostas pop-rock que mais não são do que pastiches e clones uns dos outros. Rui Gato foi um dos músicos participantes nessa compilação, à frente dos projectos Outersites e Elastic Void. Tratava-se de dois projectos com vias de exploração estética significativamente diferentes, mas com um mesmo propósito: desbravar um trabalho criativo com base em processos musicais digitais conjugados com outros analógicos. E diga-se que, na altura, o nome de Rui Gato ficou na memória dos mais atentos.
Como sequência editorial lógica, a mono¨cromatica editou em finais de 2002 o primeiro álbum de originais de Rui Gato, desta vez tomando as rédeas do projecto Elastic Void. Só que Gato não se ficou por aqui e desdobrou-se noutros projectos: os referidos Outersites e os mais recentes plat I::I form. Quer em registos gravados, quer em actuações ao vivo, todos estes projectos se apresentam em formações distintas e em registos sonoros diferentes, alargando, por assim dizer, a amplitude de experimentação que Gato gosta de imprimir aos seus trabalhos. “Elastic Void” constituiu o primeiro álbum de Rui Gato, um álbum de certa forma conceptual, rico em ideias, estruturado com base numa confluência estética algures entre o dub espacial, o electro-ambient, pulsações jazz, breakbeats geométricos e num work-in-progress minucioso e digno de registo. Será quase uma certeza que este ano de 2003 verá surgir mais novidades deste músico que afirma que “a música que faço resulta da minha paixão pela música conjugada com tecnologia, autodidactismo, experimentação e procura de mim próprio”.
Victor Afonso
(Mondo Bizarre # 14)
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