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EXPERIMENTAL POP BAND
COCKTAIL SONORO
Na sua génese manifestamente pop, a música dos Experimental Pop Band é feita da hibridez de elementos que compõe o seu mundo, indo desde dissonantes guitarras a tresloucados samples, passando por impetuosas electrónicas ou momentos de cariz mais jazzistíco. "The Tracksuit Trilogy" é mais um passo em frente.

Tendo-se inicialmente afirmado como um mero projecto de estúdio, esta (que então se veio a tornar) banda de Bristol formou-se em 95. Segue-se então o lançamento de alguns EP's, que reunidos deram origem ao seu álbum de estreia "Discgrotesque", que se revelou uma (muito bem recebida) carga de trabalhos para os críticos comentarem, apelidando-o de tudo e mais alguma coisa.

Em 1998 lançam o seu segundo disco intitulado "Homesick", mas foi também nesse ano que os EPB sofreram a perda do seu baixista Chris Galvin (que sofria de uma doença terminal), e trocaram duas vezes de editora. Agora ligada à City Slang, a banda soube "dar a volta por cima" e ei-la aí com o seu mais recente álbum "The Tracksuit Triology" cuja produção esteve (excepto em dois temas) a cargo do conceituado John Parish.

Elaborado cocktail sonoro, este disco faz sem dúvida jus a esse bizarro e ecléctico universo, onde uma vez mais se parte de uma essência pop, para se irem trilhando caminhos sob terrenos experimentais, que lembram por vezes um Beck ou mesmo (a nível de guitarras) uns Sonic Youth. Junte-se então a isto, insistentes teclados com um toque bubblegum, guitarras em desatino, os tais tresloucados samples, não saturantes mas demarcadas batidas e um ou outro momento mais cândido aqui ou além. Mas não esqueçamos a pouco melódica, grave, mesmo neurótico-bronca voz de Davey Woodward, que confere uma enorme expressividade ao todo, pelo seu irresistível toque chunga. Isto não esquecendo uma saudável e ligeira esquizofrenia omnipresente, nomeadamente nas letras, bem como um conjunto de divertidas referências kitsch (e aqui há que realçar o tema que abre o álbum, o fantástico "Bang Bang You're Dead"), que todavia não resvalam para o piroso.

Ainda que o bom humor esteja subjacente aos EPB, o facto é que o seu trabalho merece mesmo ser levado a sério, nem que seja pela sua enorme criatividade, e pela habilidade com que dão solidez à variedade de elementos que os caracterizam.

Ana Gandum
(Mondo Bizarre # 7)