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FIREBALLS OF FREEDOM
ESPALHANDO O LEGADO
Com a edição do “best of” dos MC5 muito se especulou como soariam nos dias de hoje se não tivessem terminado a carreira com “High Time”. Há quem diga que soariam como os Hellacopters ou os Make Up. Os Fireballs of Freedom poderiam ser uma das opções.

Antes de se afirmarem como Fireballs of Freedom foram The Syncs, Smegma Clowns, Phil Must Die, Buttchuck, Jennifer's Veil ou Honky Sausage, tudo nomes que passaram despercebidos aos anais do rock'n'roll. O único elemento comum foram os membros da banda que ao fim de dez anos continuam os mesmos, até nas alturas em que a mudança de cidade parece ser a solução mais apropriada.

Quando finalmente assentaram em Portland a sorte começou a mudar. O tão procurado contrato discográfico, que anos de estrada não conseguiram alcançar, caia das mãos da Empty, a mesma que anos antes descobria os Supersuckers e nos oferecia algumas pérolas dos Mudhoney e Gas Huffer. "The New Professionals", feito de estilhaços de um rock que muitos julgavam morto, é a rampa de lançamento para a exposição a um público sedento de novas experiências sónicas. Entre os convertidos encontra-se Dave Crider, o patrão da Estrus, que se apaixonou pelo som da banda e não descansou enquanto não os convenceu a assinarem pela sua editora.

"Total Fucking Blowout" é o grito de liberdade dos Fireballs of Freedom, que faz juz ao nome e que com a ajuda do mestre Tim Kerr oferece a que o quiser ouvir doses industriais de riffs inflamados capazes de incendiar qualquer aparelhagem onde o disco for tocado. Temas como "Don't Take My Freedom", "Dirtbox", e especialmente "The Halls of Sonic Splendor" são bons exemplos da desconstrução sónica empreendida pela banda. A cada nova audição de "Total Fucking Blowout" são descobertos pormenores que nos passaram despercebidos nas passagens anteriores. Aliás, este disco é tudo menos fácil, sendo necessárias pelo menos dez audições regulares para que o disco comece a fazer sentido!... Stooges.

Hugo Moutinho
(Mondo Bizarre # 3)