FOO FIGHTERS
DEPOIS DA TEMPESTADE
A temporada como baterista nos Queens Of The Stone Age fez-lhe bem. Dave Grohl reconquistou a confiança no rock'n'roll, e nos Foo Fighters, que após um período doloroso, deram à luz este novo "One By One". Que é como quem diz: passo a passo os Foo Fighters voltam à ribalta. Grohl, entretanto, aproveita para exorcizar as suas mágoas sentimentais naquele que é o álbum mais revelador até ao momento da discografia da banda.
Os Foo Fighters começaram por ser a afirmação criativa de Dave Grohl, mais conhecido por ser o ex-baterista dos miraculosos Nirvana. Depois as expectativas confirmaram-se: o homem não era só capaz de martelar nas peles como um deus grego, também era capaz de fazer canções - algumas bem boas. Foi assim em "Foo Fighters", de 95, na ressaca geral do grunge, e em "The Colour And The Shape", de 97 quando era preciso mandar a bola para a frente. Mais ainda em "Nothing Left To Lose", dois anos depois, quando foi necessário evoluir mesmo e mandar às urtigas os ensinamentos do punk complexificando as canções e criando ambientes mais pop. Mas provadas que ficaram as capacidades de compositor de Grohl, e mesmo de líder, já que através de tempestades várias ele lá foi aguentando o barco (é preciso dizer que da formação original já só restam para além de Grohl, o baixista, Nate Mendel), o que ficava para dizer num quarto álbum da banda? Ficava sobretudo a necessidade de ele se revelar de forma mais clara dando uma outra substância às suas canções e às suas palavras. Onde antes se podiam ouvir da sua garganta referências crípticas a personagens desconhecidas, numa charada de palavras que pouco sentido faziam para o auditor - a excepção talvez fosse "My Hero", sobre o falecido Kurt Cobain, uma das canções mais poderosas de sempre de Grohl - em "One By One", o caso muda de figura. Este é claramente um álbum de ressaca sentimental e nunca as canções da banda pareceram dizer tanto. Começando logo pelos títulos já dá para ter uma ideia: "Times Like These", "Disenchanted Lullaby", "Tired Of You", "Lonely As You", "Come Back", etc. Depois podem-se ouvir frases como: "ela drena-me quando já estou vazio"; "outro rapaz para alugar"; "sou o único que te assenta" ou "é em tempos destes que se aprende a viver de novo".
"One By One" foi assim um álbum de parto difícil. O álbum que foi gravado por duas vezes (a primeira versão foi deitada fora). O álbum que se seguiu à separação da companheira de Grohl, e o álbum em que era preciso mudar alguma coisa nos Foo Fighters. Pelos visto o estágio que Grohl fez nos Queens Of Stone Age (e o "robot rock" destes últimos não anda muitas vezes longe) foi suficiente para lhe dar uma nova esperança no rock'n'roll e novo alento para o seu próprio projecto. A convivência com aquela "rapaziada animada" e o facto de ter voltado a ocupar o lugar de simples baterista numa banda, longe da pressão da liderança, ajudaram-no a recuperar a visão e o gosto pelo seu próprio projecto, a que veio juntar-se um forte e doloroso motivo de inspiração para as canções que entretanto foi escrevendo. Factos que dão a este novo álbum dos Foo Fighters uma nova vitalidade consolidada entretanto pela experiência conseguida através dos anos. "One By One" não é um álbum que vá revolucionar o mercado ou gerar novas tendências. É simplesmente um bom disco de rock que vai crescendo a cada audição, exactamente como os anteriores álbuns dos Foo Fighters ou os de qualquer banda que se preze.
Jorge Dias
(Mondo Bizarre # 13)
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