GASOLINE
COM A ALMA EM CHAMAS
Japão. Esse país longínquo e cheio de mistérios, é um dos maiores produtores de bandas pouco convencionais Para além de Cornelius, Zeni Geva ou Guitar Wolf, há também os Gasoline, um power trio inflamado que acaba de ver editado o seu segundo álbum, "Fake To Fame".
Em Yokkaichi, Japão, não deve haver nada para fazer e o destino de três rapazes: Gan, Shuei-Rock e Hiroshi-Hell não podia ser senão fazer parte de uma banda. Os dois primeiros faziam parte de uma banda de blues. Os restantes elementos, desse grupo, eram bastante mais velhos, e os rapazes decidiram sair e formar uma banda soul. Quem primeiro deu por eles foi a Goner Records, editora pertença de Eric Oblivion, dos extintos Oblivians, e responsável pela "descoberta" dos Guitar Wolf. A Goner Records editou-lhes o primeiro single e pouco depois eram "caçados" pela Estrus.
É errado ver os Gasoline como uma banda soul normal, porque a este estilo acrescentam influências de garage rock, blues e jazz, resultando num explosivo cocktail de power soul, se é que tal coisa existe. Depois de uma meteórica aparição no festival Garageshock de 1997 gravaram "Gasoline", o álbum de estreia, que contou com Tim Kerr ao comando das operações. Foi com este disco debaixo do braço que se deram a conhecer a um público mais vasto através de várias digressões pelo Japão, ao lado dos Guitar Wolf e Switch Trout e algumas investidas pela América.
Apesar das boas críticas que receberam, a respeito da sua sonoridade alucinada, decidiram auto-produzir o novo "Fake To Fame" e "polir" um pouco o som. Durante sete meses experimentaram novas fórmulas e abordagens da sua música, acabando por escolher doze temas para o álbum.
A soul continua presente, e não será descabido citar nomes como os Small Faces, James Brown ou Otis Reading como principais influências. E, ao contrário da maioria das bandas japonesas, quando cantam em inglês não parecem vindos do país do Sol Nascente. O problema é que não conseguiram evitar gravar temas em japonês e lá se vai o "disfarce".
"Fake To Fame", dos Gasoline, trilha, juntamente com outras bandas recentemente assinadas pela Estrus (The Immortal Lee County Killers, The Cherry Valentine...), o rumo editorial que o patrão Dave Crider quer imprimir. Longe vão os tempos das bandas surf instrumentais e das bandas tipicamente garage. Hoje em dia será necessário trazer algo de novo, que misture o som garage com o jazz, os blues ou a soul para agradar a Dave Crider. O guru Tim Kerr afirmava, o ano passado, que a Estrus ia mudar e que "Electric Childern" dos Monkeywrench esteve para se chamar "The Sound Of Estrus to Come". Os Gasoline estão aqui para marcar a diferença.
Lorena Star
(Mondo Bizarre # 7)
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