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GOLDEN
MEDALHA DE OURO
Os Golden não são uma novidade no panorama musical - pois este "Apollo Stars" é já o quarto álbum - mas são de facto uma banda estranhamente desconhecida. Talvez porque ainda viva à sombra do facto da sua constituição passar por membros dos Trans Am, Royal Trux e Six Finger Satellite, e por ser mais um projecto emanado de Chicago, uma cidade musicalmente muito profícua nos últimos anos. Mas os Golden não têm medo de arriscar um novo estilo a cada música que apresentam, porque o fazem com grande mestria e muita alegria.

Os Golden nasceram para a música em 1993, quando Ian Eagleson (guitarra e vozes), Alex Minoff (guitarra e vozes), Philip Manley (baixo e produção) e Jon Theodore (bateria) ainda gozavam os tempos de estudante. Apesar das carreiras paralelas de Minoff (Six Finger Satellite, The Make Up e Scene Creamers), Theodore (Royal Trux, Palace e The Mars Volta), Manley (Trans Am) e Eagleson (doutoramento em etnomusicologia), os Golden conseguiram manter-se unidos ao longo dos anos até à gravação do primeiro álbum homónimo, já em 1998. Desde então a actividade da banda intensificou-se, com mais três registos: "Super Golden Original Movement" (1999), "Golden Summer" (2000) e o recente "Apollo Stars". Sempre em crescendo de inovação e qualidade.

Os Golden assumem-se sobretudo como uma forma de diversão e de facto, de disco para disco, este objectivo é cada vez mais conseguido. Se os álbuns anteriores denotavam excelentes temas rodeados de outros mais arcaicos, numa demonstração de heterogeneidade musical por vezes perturbadora, "Apollo Stars" é sem dúvida bastante mais coeso nas propostas apresentadas, apesar de continuar a revelar que o estilo dos Golden se baseia precisamente na mistura de estilos e sons.

Em "Apollo Stars", a prova desta constatação vai do funk mais elementar de "Feel This Flow", ao total enternecimento de "Henry Earl Ansell", passando pelo groove acelerado de "Goldenization" e "Vitamin G" e pela aterragem final perfeita que é "Nikki". Com o ponto alto no fabuloso vaudeville de "Ma Petite est Marrié". O embrulho poderia ser o conceito de afro-rock, baseado numa imbricada trama de ritmos e melodias, em vibrações viscerais, em vozes que vão do rock mais elementar aos coros mais inflamados, e em guitarras electrificantes sempre muito bem manuseadas. Tão bom que até dá vontade de dançar.

"Apollo Stars", cujo único mal é a escassez dos oito temas propostos, é assim um sério candidato à medalha de ouro na categoria disco do ano pela ousadia dos músicos em causa. Mas infelizmente vai passar ao lado de muito boa gente, porque aqui a aposta está no prazer de fazer música e não na fácil mediatização.

Vasco Durão
(Mondo Bizarre # 13)