GORILLAZ
LO-FI THRILLER
Discretamente tomaram conta da imprensa britânica para depois conquistarem o mundo. Chamam-se Gorillaz e são um dos fenómenos mais mediáticos dos últimos tempos. Juntam a melhor voz da pop britânica ao melhor arquitecto do rap e são representados por personagens de banda desenhada.
Na imaginação de cada um podemos inventar mil histórias com os nossos heróis. 2-D, Russel, Noodle e Murdoc são a imagem visível do projecto liderado por Dan "The Automator" Nakamura (Handsome Boy Modeling School, Deltron 3030...) a quem Damon Albran (Blur) deu a voz, e que conta com a participação de outros ilustres do mundo da música e não só. Aliás não é difícil descortinar a verdadeira identidade de cada personagem pela forma que tomam no desenho. 2-D é a caricatura de Damon Albran, Russel mostra Dan Nakamura, Noodle não é mais que Miho Hatori, das Cibbo Mato, e Murdoc é a representação do obreiro da parte visual dos Gorillaz, Jamie Hewlett, que os amantes da banda desenhada conhecerão como tendo sido o criador de Tank Girl.
O meu primeiro contacto com os Gorillaz, foi através da imprensa britãnica, tão empenhada em descobrir a "next big thing" que não poupou palavras para apresentar o projecto. Estava criada uma aura de mistério que fez crescer água na boca. Depois de satisfeita a curiosidade sobre os músicos que integravam os Gorillaz foi a vez de ficar deslumbrada pela ideia de uma banda virtual, com imagem criada por Hewlett, que se viu forçado a montar um atelier em Londres para dar vazão às constantes necessidades dos Gorillaz, já que raramente somos confrontados com duas imagens repetidas, como se a sessão de fotografias tivesse sido interminável. O primeiro single e respectivo vídeo não se fizeram esperar. "Tomorrow Comes Today" dava finalmente a conhecer a fórmula utilizada por Dan Nakamura e companhia, um misto de brit pop com hip hop que não tardou a causar sensação. O vídeo mostra os nossos heróis em viajem pela capital britânica, fundindo animação com imagens reais. Os restantes temas deste single lançavam já algumas pistas do que se poderia esperar do álbum que tardava em aparecer. Antes disso editam mais um single. "Clint Eastwood" e respectivo vídeo mostram os Gorillaz a braços com uma história fantástica, onde Russel é possuído por demónios, e o rap soberbo de Del Tha Funky Homosapien.
Os dados estavam lançados e não havia retorno. "Gorillaz", o álbum homónimo, surge assim rodeado de uma enorme ânsia por parte da crítica e do público. A variedade de estilos reunida em quinze temas é impressionante, chegando ao ponto de convidar Ibrahim Ferrer a cantar em "Latin Simone (que pasa contigo)". Se com intenção de agradar a gregos e troianos, ou apenas pelo prazer de experimentar, o certo é que "Gorillaz" resulta num disco variado mas equilibrado onde a cada momento somos surpreendidos por uma curva perigosa noutra direcção e onde o hip hop anda de mãos dadas com o pop, rock, punk, música latina e dub. Para além da música, "Gorillaz" é feito ainda de interactividade, e será necessário possuir a chave contida no CD para aceder aos cantos escondidos do universo de Murdoc.
Se os Gorillaz se vão sobrepor às carreiras dos seus mentores só o futuro o dirá. Uma coisa é certa, este pedaço de entretenimento já ninguém nos tira.
Ana Almeida
(Mondo Bizarre # 7)
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