GODSPEED YOU BLACK EMPEROR!
DEPRESSÃO ACELERADA
Originais de Montreal no Canadá, nascidos em 1994, os Godspeed You Black Emperor! prometeram um novo universo musical com o maravilhoso primeiro álbum “F#A#(Infinity)”. Mas as expectativas de certo modo goraram-se. O segundo longa duração, “Lift Your Skinny Fists Like Antennas To Heaven”, é um disco aprazível, mas não traz nada de novo.
Os Godspeed You Black Emperor! impressionaram as hostes musicais com um conjunto multi-instrumental de quase 10 músicos capaz de produzir longas, densas e hipnóticas narrativas musicais em crescendo, com sabor a rock de câmara. Primeiro com a K7 editada pelos próprios em 1994, limitada a 33 cópias e com o título, sugestivo como tem sido apanágio da banda, “All Lights Fucked on the Hairy Amp Drooling”. De seguida chegou o sucesso com “F#A#(Infinity)”, editado pela Kranky em 1998, que chegou a ser considerado, com justiça, um dos melhores álbuns desse ano pela revista britânica The Wire. Em 1999, o EP “Slow Riot for Zero New Kanada” reforçou a saga de anonimato e algum obscurantismo que tem marcado o percurso dos Godspeed. Mas se o percurso discográfico só por si tem angariado inúmeros fãs, a publicidade na The Wire, a participação numa Peel Session e os majestáticos espectáculos ao vivo, que incluem 3 guitarras, 2 baixos, e uma míriade de instrumentos de percussão, sopro e cordas, sem esquecer o projeccionista, deram a esta orquestra um estatuto de culto no meio musical alternativo.
Com tanta publicidade em tão pouco tempo, naturalmente que as expectativas eram muitas face ao novo álbum. E como todos sabemos, quanto maior a expectativa, maior a desilusão. Não estou com isto a dizer que “Lift Your Skinny Fists Like Antennas To Heaven” é um mau registo. Somente não corresponde às expectativas. Não acrescenta nada de novo ao trabalho de uma banda que tem prometido muito. O som é mais massificado, mais extenso e menos cinematográfico. Ao longo dos 2 CD’s e dos 4 temas que compõem o disco, parece que estamos sempre a ouvir a mesma música, e às vezes nem se dá por ela. Volto a frisar: isto não quer dizer que o disco não tem qualidade. Eu é que tenho a mania de alimentar expectativas quando as bandas me agradam à primeira. Provavelmente o erro é meu. Contudo, e parafraseando o título deste último álbum, vou levantar as mãos em direcção aos céus e pedir que os Godspeed You Black Emperor! voltem a surpreender-nos com ideias novas. Mas sem perder a escuridão que ilumina a sua música.
Vasco Durão
(Mondo Bizarre # 6)
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