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HELLACOPTERS
OS REIS DO ROCK
Se ainda tivessem que provar alguma coisa, aos suecos Hellacopters bastava-lhes mostrar os dois primeiros álbuns. Se isso não fosse suficiente, "Grande Rock" serviria de prova final da importancia que a banda tem no rock dos anos noventa.

Se o nome dos Hellacopters, e o das bandas escandinavas são mencionadas várias vezes nestas páginas, é porque naqueles países do norte da Europa se cozinha algum do melhor rock'n'roll que se faz hoje em dia.

Recuando cinco anos, encontramos Nick Hellacopter no lugar de baterista dos Entombed, os embaixadores do death-metal sueco. Por brincadeira, para fugir à rotina do estilo que tocava e pela paixão que tinha por bandas como Motorhead, Kiss, MC5 ou Stooges, Nick formou a banda com alguns amigos. "Killing Allan", o single de estreia, gravado em quatro pistas durante um ensaio, surge em 1995, editado pela Psychout Records, propriedade de Nick. Apesar da produção inexistente, era possivel distinguir a habilidade de Nick para escrever canções.

A notoriadade no país de origem só veio com o single seguinte, "1995", que para além de tomar de assalto as publicações alternativas, chamou a atenção de algumas facções mais respeitáveis dos media escandinavos.

O estilo practicado pela banda, uma mistura reciclada de punk com rock'n'roll, confunde os mais desatentos. Não será por isso de estranhar que quando "Supershitty to the Max!" foi editado em 96, a banda fosse catalogada simplesmente como "hard rock". Este é também o álbum da consagração em termos mediacos na Suécia, arrecadando o grammy para o melhor disco da categoria "hard rock".

A barafunda era generalizada, pois a banda conseguia atrair para os seus concertos tribos tão dispares como as do garage rock, heavy-metal ou punk. Os Hellacopters surgem também nás páginas de revistas tão opostas como a Kerrang! ou a Gearhead, aumentando a confuão entre aqueles que teima em colocar tudo em compartimentos estanques.

Com "Supershitty to the Max!" debaixo do braço, os Hellacopters partem à conquista da Europa. Mais uma vez, é na Escandinávia que as coisas lhes correm melhor, já que são apadrinhados pelos Kiss nas datas da banda de Gene Simmons nessa parte do continente europeu. Sem deixar abrandar o ritmo de trabalho, a banda edita "Payin' the Dues". O difícil segundo álbum, surge como um passo de gigante na carreira da banda. O cuidado posto na composição e na produção é recompensado por melhores críticas e vendas superiores ás do álbum anterior. O impacto conseguido é de tal forma abrangente que de todo o mundo surgem convites para a edição de singles.

A América começa a interessar-se pelos Hellacopters, e 1998 seria um ano particularmente importante para a banda nesse país. A par de algumas edições em single, surge a re-edição de "Supershitty to the Max!", pela Man's Ruin, seguindo-se várias digressões com os Fu Manchu e com os New Bomb Turks.

Em 1999, a banda que juntamente com os Turbonegro revolucionou o rock na Europa surge com "Grande Rock", o mais completo dos três álbuns. O novo trabalho consegue estabelecer um equilibrio saudável entre "Supershitty to the Max!" e "Payin' the Dues", tanto a nível de escrita como de produção, que aqui ficou totalmente a cargo da banda. Tal qual "Payin' the Dues", este é um disco talhado para o lançamento de singles. Temas como "Action the Grace", "Move Right Out of Here", "The Devil Stole the Beat From the Lord" ou "Renvoyer" são clássicos instantâneos. Editado na Europa através da White Jazz, a banda conseguiu vender os direitos de "Grande Rock" para os Estados Unidos à Sub Pop. Confirmando a importancia destes suecos, que já conquistaram um lugar nos nossos corações.

Raquel Pinheiro
(Mondo Bizarre # 1)