J CHURCH
MANTENDO O RUMO
Em cinco anos, desde que editaram o último álbum, muito mudou na vida dos americanos J Church. Só as canções se mantiveram inalteradas. “One Mississippi” é um rio cheio de pequenas preciosidades pelas quais não podemos deixar de nos apaixonar ou levar pela corrente.
Aviso à navegação: mesmo aos mais desatentos não será difícil esbarrarem nas edições dos americanos J Church, espalhadas por várias editoras há já dez anos. O responsável por tamanha façanha é Lance Hahn, lider, compositor e único sobrevivente da formação original, possuidor de um dom natural para escrever muitas e boas canções, daquelas que entram facilmente no ouvido e nos colam os refrôes à ponta da língua obrigando-nos a cantarolalas de manhã à noite.
Antes de “One Mississippi” ficaram para trás 4 discos de originais, umas quantas antologias, duas dezenas de singles, centenas de concertos e várias mudanças de formação. A estabilidade veio com a entrada de Adam Pfahler, ex-Jawbreaker e dono do video clube onde lance também trabalha, quando os J Church não andam na estrada, e Jeff Bursley, um ex-Nothing Cool e carpinteiro de profissão. Se a isto juntarmos o facto de Lance Hahn ter sido guitarrista de Beck, durante o tempo em que escrevia para a Maximum Rock’n’Roll, temos a visão quase perfeita da realidade dos J Church.
Surgidos no inicio da década de 90, a banda e as suas canções devem mais áinfluência dos Husker Du, Buzzcocks ou R.E.M., que a outras bandas pop punk, que emergiram na mesma altura, saidas do movimento Do It Yourself (DIY) da Bay Area, como os Jawbreakerou Green Day. E apesar de nunca terem alcançado o sucesso dos últimos, sempre estiveram um pouco por todo o lado, marcando presença onde era mais importante.
Com este One Mississippi” os J Church festejam 10 anos de vida (contando com a época de transição dos Cringer) e, neste caso, são eles a dar as prendas de aniversário aos fãs. Ao todo são 26 temas espalhados por quase 73 minutos, oscilando na sua maioria entre os 2 a 3 minutos, ao bom velho estilo punk. Óptimos temas! Se a banda estivesse numa multinacional, com a obrigação de editar os single da praxe, então poderiam muito bem estar dois anos a lançar um single por mês. No entanto, à cabeça estariam “She Says”, “No Jazz”, “New York Times Boom Review” e porque não também “When The Trains Go”.
Pedro Esteves
(Mondo Bizarre # 4)
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