MANSUN
AMOR E EYELINER
"Little Kix" é o terceiro álbum dos Mansun. Tal como nos anteriores, Paul Draper e companhia mergulham fundo num misto de glam, pop e exagero, produzindo um trabalho excessivo que escorre brilho a rodos. Senhoras e Senhores, bem vindos ao extravagante universo dos Mansun...
Desde o início que os Mansun definiram as coordenadas: brilho, glamour, músicas pop de retoques barrocos e exagero. Desde a altura em que se chamavam Grey Lanter - nome que viria a ser usado para o primeiro álbum -, até ao presente, o trio original, Paul Draper, Dominic Chad e Stove King sempre primou pelo hedonismo. Das noites loucas em quartos de hotel, que levaram a que o grupo fosse proibido de frequentar várias cadeias hoteleiras do Reino Unido, passando pelo lançamento de "Atttack Of The Grey Lanter" num casino de um hotel da ilha de Man, até ao despropósito que é editar discos épicos, envernizados a lantejoulas.
Como se tudo isso já não fosse suficiente, há a peculiar mania de intitular todos os seus singles apenas com o nome - por extenso -, de um número. E se "Attack Of The Grey Lantern" colocou a banda no mapa daqueles que são ao mesmo tempo amados e odiados pela imprensa britânica, "Six" deixou a dita imprensa irritada com tamanha pomposidade.
O novo álbum, "Little Kix”, não foge a essa linha glam-pop hiper-elaborada de acordes magnânimos e orquestrações sumptuosas. Essa mistura, algo duvidosa, mas extremamente atraente faz com que os Mansun, tenham, em Inglaterra, uma enorme legião de dedicados fãs. Por cá, presume-se, serão muito menos os que apreciam as bizarrias do grupo. E, no entanto, os três álbuns são do mais curioso que a pop britânica produziu nos últimos tempos. Curiosos é mesmo a expressão certa. Bonitos, espaventosos, apelativos ou exacerbados não chega para definir o que se ouve em "Attack Of The Grey Lantern", "Six" e "Little Kix". "Little Kix" é, então, mais um exótico cocktail de canções de amor perdido, estórias bizarras saídas da cabeça de Paul Draper e arranjos barrocos na quantidade correcta, destinado a invocar essa glamourosa década de 70 onde, mais que nunca, tudo brilhava tão intensamente.
Raquel Pinheiro
(Mondo Bizarre # 5)
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