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MANTA RAY
TENSA NEGRITUDE
“Estratexa” é o novo álbum dos Manta Ray,um dos colectivos mais interessantes do rock espanhol contemporâneo. O quarteto das Astúrias tem sofrido, ao longo de praticamente dez anos de carreira, várias mutações na sua orientação sonora e o novo trabalho é mais um importante passo na busca de uma identidade muito própria.

Editado pela Acuarela (a excelente editora madrilena que tem dado nas vistas pelo extremo bom gosto evidenciado na escolha das bandas que integram o seu catálogo, bem como do elevado nível estético do grafismo das suas edições), “Estratexa” (estratégia em asturiano) é o quarto álbum dos Manta Ray, sem contar com os registos em colaboração com nomes como Corcobado, Diabologum, Schwarz ou o álbum “Score”, trabalho onde a banda gravou versões de temas emblemáticos da música para cinema, revisitando compositores como Ennio Morriconne ou Nino Rota, intercalados com originais do grupo.

E se, no início do percurso, os Manta Ray (nome roubado a uma canção dos Pixies) apostavam numa sonoridade mais pop, num formato de canção mais convencional, nos últimos anos a banda investiu no alargamento dos seus horizontes musicais, distanciando-se assim dos padrões do ouvinte médio. É nesse sentido que chegamos a “Estratexa”, um disco que reflecte uma inquietude constante e uma vontade de evolução permanente na busca de novos rumos. Não é fácil descrever este álbum: os temas possuem um ambiente algo enigmático e desenvolvem-se em circuito fechado, criando cenários claustrofóbicos. Composições que começam com linhas minimais providenciadas pelas guitarras, teclas e alguma electrónica, apoiadas em ritmos cerrados e repetitivos, crescendo progressivamente de intensidade, desaguando em momentos de maior euforia eléctrica, revelando uma impressionante arquitectura sonora (“Take A Look”, “Qué Niño Soy” ou o título-tema); peças de maior contenção e apaziguamento, esculpindo atmosferas, texturas e melodias de forma cativante (“Rosa Parks”, “Ausfahrt”).

É um rock de contornos negros, denso, nervoso, tenso e muito belo, entre a melodia e o ruído, algures entre o krautrock alemão e o post-hardcore de Washington D.C, com uma boa dose de experimentação à mistura. Cantado em asturiano e em inglês, “Estratexa”, é um álbum fascinante, provando a maioridade criativa dos Manta Ray, uma banda disposta a explorar com mestria o seu próprio universo.

Nuno M. Castêdo
(Mondo Bizarre # 14)