OZZY OSBOURNE
O MAIOR ESPECTÁCULO DA TERRA
"I'm not the kind of person you think I am/ I'm not the antichrist or the iron man". Assim começa "Get Me Through", um dos temas de "Down to Earth", o mais recente trabalho de Ozzy Osbourne, um pai de família britânico elevado à categoria de anticristo na América.
No final da década de 60, farto do estilo hippie e de todo o seu pacifismo, Ozzy ao lado de Tony Iommi, Geezer Buttler e Bill Ward fundou os Earth, mais tarde Black Sabbath, um grupo inspirado nos ácidos e no interesse pelo obscuro que despertava na Inglaterra naquela época. O segundo longa duração proporcionou-lhes um hit, "Paranoid", mas o conjunto dos seus primeiros quatro discos constitui, hoje, uma verdadeira bíblia para o heavy metal e estilos afiliados. Os discos, as sucessivas digressões e o ambiente típico da década de 70 levaram aos excessos do costume e, particularmente neste colectivo, as drogas ocuparam o seu espaço, até demais. A qualidade dos trabalhos baixa, e no final da década de 70, Ozzy abandona o grupo. Verdadeiro junkie, refugia-se em motéis e é num deles que Sharon, a filha do manager dos Black Sabbath, o vem a encontrar. Habituada ao negócio do rock'n'roll vê no quase terminal Ozzy a oportunidade para se libertar do pai e criar a sua própria empresa. Recupera Ozzy e arranja uma reunião com uma multinacional. Para a sua estreia a solo, Ozzy oferece ao mundo um clássico do heavy metal - "Blizzard of Ozz" e um super guitarrista: Randy Rhoads. O sucesso sorri-lhe. Casa com Sharon, embarca em digressões, arranca a cabeça de um morcego em palco - por engano, diria mais tarde… - urina no Álamo, monumento nacional americano, e continua nas drogas. Tudo isto chegaria para muitos, mas para Ozzy é ainda pouco. Falta o toque rocambolesco de uma boa tragédia: em digressão promocional ao seu segundo disco, um dos elementos da sua equipa, resolve pegar em Randy e dar uma volta de avião. No ar resolve assustar a ex-mulher, que em terra assistia ao voo. A avioneta choca com o autocarro da banda, Randy morre. Sharon substitui o guitarrista e a digressão continua, com Ozzy mais dependente de drogas do que nunca. O resto dos anos 80 são de depressão e dependência, os discos pioram até encontrar em Zakk Wylde o substituto ao nível de Randy. A qualidade volta aos discos, enquanto em Seattle os grupos emergentes mencionam Black Sabbath como A banda. A década de 90 acaba por sorrir a todos. Sharon idealiza o regresso dos Black Sabbath e o Ozzfest, uma espécie de Circo do metal, em que a presença é paga a peso de ouro. Os rumores são muitos: que Ozzy teve um ataque cardíaco, que é dobrado em palco, que não sabe as letras, etc, etc. Mas o negócio corre bem e Sharon factura ainda melhor. "Down to Earth" é o disco para levar para casa no fim do circo. Ozzy já não é o Iron Man, o anticristo, mas a quem interessa isso, enquanto for Sharon a manager e Ozzy o freak de serviço? Afinal o rock é hoje o maior espectáculo do mundo!
Emanuel Ferreira
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