THE PATTERN
Punk Boogie Nights
Podiam muito bem ser mais uma banda a juntar a tantas outras que neste momento fazem as delícias dos amantes de rock'n'roll, mas os The Pattern são mais do que isso e o álbum "Real Feelness" é a escada que os vai ajudar a subir no ranking.
Não deixa de ser curioso constatar que a grande maioria das bandas que fazem parte do dossier organizado pela fashionable The Face tenham um passado, mesmo que recente, e não apenas um presente. Outro pormenor de não menos importância é o facto de não haver um padrão em termos de proveniência dessas bandas. Se no ano passado a febre dos White Stripes e dos Strokes apontou o caminho às bandas de Detroit e Nova Iorque respectivamente, hoje em dia já é normal encontrarem-se bandas vindas da Nova Zelândia, do resto dos Estados Unidos, da Austrália e até de Inglaterra, no rol de bandas que poderá vir a ser a next big thing. Estranhamente, ou talvez não, com o hype do rock'n'roll a dominar a Inglaterra, estas bandas preocupam-se mais em vingar na terra de Sua Magestade do que nos países de origem. De entre as quarenta bandas sondadas pela The Face encontramos os The Pattern, um quinteto de Oakland, na Califórnia, que acaba de editar o seu álbum de estreia, pela Wichita, a mesma editora que mostrou à Europa os Yeah Yeah Yeahs.
O passado recente dos The Pattern resume-se a uma mão cheia de singles e um mini-LP, espalhados por editoras tão díspares como a mítica Alternative Tentacles, a estranha GSL Records, a automobilística Gearhead ou a punk Lookout. Mas não só. Antes da edição do álbum de estreia, "Real Feelness", os The Pattern percorreram quilómetros de estrada em busca não só de um público fiel mas também de uma sonoridade que os distinguisse. Não são propriamente novatos nestas andanças do punk e do rock, e usam a experiência alcançada em bandas como os The Peechees, Saint James Infirmary, The Cutz, Nuisance ou Heart Of Snow para construírem a fórmula que usam para a composição dos seus temas. Não chega beber influências na pop dos anos 60, no rock dos anos 70 ou nos blues, é preciso agitar bem antes de servir para que este cocktail não saiba a algo acabado de sair do congelador.
"Real Feelness" é um disco curto. Em trinta minutos enfiam doze temas que cumprem à risca a fórmula da canção pop, ou seja, não exceder os três minutos de duração. Nesses trinta minutos divertem-se e divertem quem os ouve, convidando à dança ou ao abanar das ancas. O uso de duas guitarras ajuda a encher o som que consegue soar retro sem soar datado, feito heróico da responsabilidade de Alex Newport, homem mais ligado ao rock pesado (At The Drive-In, Fudge Tunnel) e que soube compreender até onde é que os The Pattern queriam chegar.
Não serão a banda mais original do mundo, mas soam menos arrogantes que os Mooney Suzuki e, até ver, não degeneraram como os Makers. Em comum com estas duas bandas têm, segundo a crítica, o facto de darem concertos inflamados onde tudo pode acontecer.
Hugo Moutinho
(Mondo Bizarre # 12)
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