PERNICE BROTHERS
CANÇÕES PERFEITAS
"The World Won't End", o segundo álbum dos Pernice Brothers é um disco de canções belissímas e com entrada garantida nos melhores discos do ano.
Joe Pernice é a alma criadora que se esconde por detrás de nomes como Scud Mountain Boys e Pernice Brothers e que também assina álbuns em nome próprio. Os Scud Mountain Boys foram o suporte das canções, sempre pessoais, de Joe de 1991 a 1996 e editaram três álbuns.
Desfeita a banda, Joe começou à procura de músicos. Acabou por recrutar o irmão, Bob e mais uma míriade de gente para o grupo a que cahmou Pernice Brothers. O primeiro álbum, "Overcome By Happiness" não era muito distinto deste "The World Won't End". Melodias requintadas, orquestrações elegantes com belos arranjos de cordas, uma voz cheia, forte e bonita e muita sofisticação. Mas nem por isso as canções deixavam de ser frescamente pop.
"Overcome By Happiness" não foi própriamente um sucesso comercial nos Estados Unidos. Nem tão pouco deu aos Pernice Brothers uma legião de admiradores fiéis. Esses, Joe encontrou-os na Europa e no Japão.
No espaço que medeia a edição dos dois álbuns dos Pernice Brothers, Joe editou "Chappaquiddick Skyline", que a Sub Pop, a anterior editora dos Pernice Brothers queria que fosse o segundo álbum do grupo, como um projecto paralelo e "Big Tobacco" sob o nome Joe Pernice. E "Big Tobacco" nem sequer foi editado nos Estados Unidos. Se as canções de cariz clássico dos Pernice Brothers não encantaram os americanos não iriam ser as introspectivas e depuradas criações contidas em "Big Tobacoo" que o fariam.
Entretanto, Joe Pernice criou uma editora, a Ashmont Records. Foi pela Ashmont Records que "The World Won't End" foi editado. O disco é um trabalho comparável, na qualidade, não na duração, a "69 Love Songs" dos Magnetic Fields e menos Cole Porter e mais Beach Boys ou Beatles que o triplo-álbum escrito por Stephin Merrit, "The World Won't End" abre com "Working Girls (Sunlight Shines)", uma canção que é de facto aquilo que parte do título indica: radiosa. E também contagiante. O refrão entranha-se e fica-se a ouvi-lo ressoar dentro da cabeça durante muito tempo.
Nem todas as canções do disco são tão alegres como essa. Algumas como "The Ballad Of Bjorn Borg", cuja letra nada parece ter que ver com o ténista sueco, mas antes com um amor de Verão que antecipadamente se sabe irá acabar, têm essa delicada, quase doce melancolia que irrompe de boa parte das grandes canções pop.
Raquel Pinheiro
(Mondo Bizarre # 8)
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