PINK GREASE
PERIGO! ALTA VOLTAGEM!
Já o havíamos previsto. Os britânicos Pink Grease são uma das bandas mais entusiasmantes a emergir dos clubes fedorentos de Sheffield. Descobertos por Barry 7, dos Add N To (X), os Pink Grease querem conquistar o mundo com “All Over You”.
Começaram por se chamar Buttfuckers, nome pouco ortodoxo mesmo para uma banda que usa e abusa do deboche e da provocação, mas quis o destino, e as fãs femininas, que se passassem a chamar Pink Grease & The Evil X. Daí até ao nome actual, Pink Grease, foi um pequeno pormenor estilístico e a tentativa de soar bem quando alguém pronunciava o nome da banda. Foi com o EP “Soul Paco”, editado nos primeiros meses de 2003, que o nome dos Pink Grease se tornou mais conhecido, mas é necessário regressar a Novembro de 2002, quando editaram o single “Working All Day/Manhattan On Fire” pela então recém formada Horseglue, para que tudo faça sentido.
Tanto “Working All Day” como “Manhattan On Fire” eram duas barras de dinamite prontas a explodir, carregando a herança do glam punk e do electro-rock. Não seria a estreia mais auspiciosa, mas mostrava ideias em estado bruto que o tempo, os concertos e um produtor poderiam limar. Eram os primeiros indícios de que algo se estava a passar no seio de uma banda pouco convencional.
“Soul Paco” cruza New York Dolls com Joy Division, chegando ao ponto de, a meio, ter um pequeno trecho de “Shadowplay”. “Soul Paco” é terrivelmente viciante pela maneira como os Pink Grease, de repente, subvertem o desenrolar dos acontecimentos e nos agarram pelos colarinhos enquanto gritam “give me my soul paco".
Apesar do aparato, os Pink Grease não pretendem ser o que não são. Estão longe de serem grandes instrumentistas, mas têm uma atitude “in your face” quanto baste para fazer frente aos perfeccionistas. Há quem diga que as músicas são básicas, mas porque raio se deve complicar o que deve ser simples? O que se ouve em “All Over You”, tal como nos registos anteriores, é um autêntico caos sonoro, onde tudo pode acontecer. Stooges, Roxy Music, New York Dolls, X-Ray Spex e Joy Division participam nesta orgia criada pelos Pink Grease, com o único objectivo de explodirem, fazer-nos dançar e partir os nossos corações, tudo isto em seis temas que não duram mais que vinte minutos...
Até lá só nos resta o deleite com “All Over You”. Gravado em Nova Iorque, capta o espírito do underground nova-iorquino da década de 70 e funde-o com a electrónica barata dos anos 80, num acto sexual capaz de fazer corar as melhores actrizes porno. “All Over You” não podia abrir de melhor maneira: em The Nasty Show”cantam, sem pudor, “I wanna fucking die for you, i wanna die fucking you”, enquanto um saxofone irrequieto nos guia por este circo sexuado. “More Than Woman” assemelha-se a uma banda glam perdida em pleno Rocky Horror Show, ambiente que se repete em “The Beast”, onde lentamente somos preparados para a nova versão de “Shake”, ainda mais alucinada que a original. Para o final ficam “Susie” e “Lou Reed” que fecha “All Over You” da mesma maneira que “Nasty Show” abriu: com estilo. O ritmo hipnótico e o saxofone lascivo, são, talvez, a imagem aproximada do que seria um cruzamento entre os Roxy Music com anfetaminas e os Stooges.
Hugo Moutinho
(Mondo Bizarre # 16)
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