PUBLIC ENEMY
15 Anos a Liderar a Revolução
Os estandartes do hip-hop intervencionista, completam década e meio de existência com o seu último álbum "Revolverlution" e ao bom e velho estilo dos Public Enemy, "The revolution will not be televised"...
Os Public Enemy (PE) existem há cerca de 15 anos. Nunca uma banda de hip-hop teve tanto impacto político no mundo como a banda liderada pelo carismático Chuck D. Ferozes defensores da comunidade negra americana e activistas directos em matéria de direitos tanto sociais como musicais, os PE são sinónimo de uma revolução que os próprios dizem ter chegado desde que começaram a editar discos. Quando se pensa em Public Enemy, pensamos em duas coisas: o imediatamente reconhecível logotipo da banda criada pelo próprio Chuck D, já um símbolo de culto, e o refrão do poderoso tema de 1990, "Fight the Power" que se tornou a palavra de ordem da geração x, proferida de Nova Iorque a Bilbao, das ruas de Los Angeles, em 1992 às ruas de Génova em 2001.
Os PE ficarão para a história com uma entidade sócio-política como os Panteras Negras ou a Nação do Islão. Desde o início que a visão e o empenho deste grupo criaram momentos e objectos de culto. Os PE foram a primeira banda de rap a ganhar o respeito e admiração do universo rock. Ficará imortalizada a colaboração dos PE com os Anthrax em "Bring Tha Noize". A troupe de Chuck D seria também a primeira banda de hip-hop americana a fazer uma digressão em África, reabrindo a ponte entre a América e o continente-mãe dos seus artistas negros. Foram também a primeira banda de hip-hop a lançar um álbum próprio que serviu de banda sonora para um filme de Spike Lee ("He got Game"), realizador que deve muito da sua fama ao apoio dado pelos PE. Lançaram também um álbum em formato MP3 e Zip, posteriormente chegando a lançar o seu "Theres a Poison Going On" exclusivamente na Internet e ganhando a inimizade das grandes companhias discográficas. Os Public Enemy, revolucionaram o conceito de banda quando surgiram em 1987. Não apenas formado por músicos, traziam bailarinos em garba militar, porta-vozes e conselheiros. Eram não apenas uma banda mas um movimento, uma espécie de gabinete revolucionário. Desde a sua chegada que o conceito de revolução esteve sempre empregnado na sua mensagem e modus operandi. Este ano surge assim "Revolverlution", a dar continuidade ao espírito da banda assim como fazer um tributo próprio aos últimos 15 anos de carreira. Quem pensava que os Public Enemy tinham desaparecido ou declinado após vários anos de divulgação, ficam a saber que desde 2001 os PE se aquartelaram na Internet com o lançamento da sua própria editora a www.slamjamz.com. O projecto inicial de criar mais que uma banda, um movimento, tornou-se assim algo vasto e internacional com claro incentivo aos fãs de todo o mundo para participar nas actividades do grupo. "Revolverlution" vem celebrar o primeiro aniversário da nova casa dos PE, e a contribuição dos fãs está à vista. Fiel ao conceito, o álbum é radicalmente diferente daquilo que normalmente se espera. Inclui temas novos como um disco normal, no entanto tem também faixas ao vivo apesar de não ser um álbum ao vivo e quatro temas remisturados, apesar de não ser um disco de remisturas. Os responsáveis pelas remisturas, pela capa do álbum e pelos textos são os próprios fãs da banda. Os PE podem ter desaparecido do mainstream televisivo e discográfico, mas a revolução tomou conta do ciber-espaço e é de lá que operam agora os seus maiores mentores.
Vasco Rebelo
(Mondo Bizarre # 12)
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