PULSEPROGRAMMING
INDIETRÓNICA AMERICANA
“Tulsa For One Second” veio ajudar os Pulseprogramming a instalar-se num circuito privilegiado de exposição ao público das músicas electrónicas. Ao quarto álbum, o duo repete o “tapper” da Wire e recebe convites do outro lado do Atlântico para tocar com Múm, Mouse on Mars, Lali Puna, Hood (colegas de editora) ou Add N To (X).
Não é, portanto, de estranhar que encontremos em “Tulsa For One Second” um pouco de cada uma das referências acima destacadas. A pop electrónica - ou “indietrónica”, como o festival Sonar lhe chamaria – encontra nos Pulseprogramming os seus embaixadores americanos, cargo que já era ostentado, de alguma forma, pelos Telefon Tel Aviv, da Hefty, onde trabalha aliás Charlie Cooper, responsável pelas misturas deste disco. São necessárias mais referências? Continuemos então com as apresentações:
Joel Kriske e Marc Hellner começaram os Pulseprogramming em Portland, mudando-se mais tarde para Chicago, cidade onde estava sediada a Aesthetics, uma editora de cujo “roster” fazem parte, entre outros, os grupos de rock Windsor For The Derby e Hood. A Aesthetics - que entretanto fez o rumo inverso dos Pulseprogramming, mudando-se para Portland - é também casa-mãe dos L’Altra (um seu elemento até há pouco tempo é, aliás, o proprietário da editora), de cuja formação faz também parte Marc Hellner, como guitarrista e programador. A estreia em álbuns deu-se em 1999, com um trabalho homónimo. Em 2001, o duo viria a editar dois álbuns exclusivamente em vinil, “1 Of 2 In 1000” e “2 Of 2 In 1000”. O ano de 2003 chega com a edição de “Tulsa For One Second”, e promete vir a ser o ano da estrada, por excelência, para o grupo.
Nos Pulseprogramming existe ainda uma componente não musical, representada pelo realizador Eric Johnson, pelos directores de arte Hans Seeger e John Shachter (criadores da casa em que se transforma a embalagem do CD quando dobrada de forma especial), e pelo poeta Joel Craig.
“Tulsa For One Second” alterna quase literalmente entre as faixas cantadas e aquelas que são instrumentais, o que não é habitual no trabalho anterior do grupo, em que raramente surgiam as vozes. Neste disco, além das próprias vozes dos Pulseprogramming, pode ser também ouvida a de Lindsay Anderson, dos L’Altra, a qual vem reforçar o tom delicodoce com que quase todos os projectos nomeados ao início exploram a vertente lírica da sua música. Infelizmente, é na vertente instrumental que o som dos Pulseprogramming mais deixa a desejar. As acrobacias rítmicas, com dimensões microscópicas por vezes, que encontramos, por exemplo, nos Telefon Tel Aviv, ou as melopeias que penetram fundo no âmago de cada um, como as dos Múm ou dos Lali Puna, mais dificilmente encontram expressão neste trabalho dos Pulseprogramming. O que faz com que, apesar de um ou outro tema mais arrojado, haja todo um clima de monotonia que trespassa “Tulsa For One Second”.
Vitor Junqueira
(Mondo Bizarre # 14)
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