REACH THE SKY
MAIS PERTO
Oriundos de Boston, terra com boas tradições no que respeita a bandas de peso, os Reach The Sky conseguem chegar mais perto do céu com o novo álbum “Friends, Lies And The End Of The World”, que pode vir a ser um dos melhores deste ano. Os ventos sopram a favor deles.
Os Reach The Sky são daquelas bandas que sempre lutaram bastante para chegarem onde estão, e irão continuar até conseguirem o seu lugar ao sol. Das primeirs demos, que espalharam pelo mundo fora em 97 até ao contrato com a Victory passou pouco tempo, mas foram tempos difíceis de onde resultaram constantes conflitos internos. Apesar das contrariedades, “So Far From Home”, o álbum de estreia, abriu o caminho para o reconhecimento do seu esforço em criar algo novo dentro da cena hardcore.
Uma constante procura de moldar e criar um som próprio é notória quando se ouve o novo “Friends, Lies And The End Of The World”. Na hora de compôr não impuseram limitações, absorvendo o que o punk e o hardcore têm de melhor, para criarem uma mistura explosiva de canções pesadas, mas com bons refrões. E são esses mesmos refrões que tocam os fãs. As letras são emotivas e concisas e deitam cá para fora aquilo que lhes vai na alma, sem olhar para trás. Temas como “Let us Be Damned”, “This Sadness Alone” ou “The Crowded Streets Of Boston”, só para citar os três primeiros, são autênticos hinos que em concerto são entoados em coro. A maturidade que atingiram com o novo disco revela-se a cada segundo. A produção de Brian McTernan mostrou-se ideal para captar a energia contida nos seus corações e que muitas vezes não é passada para estúdio.
O equilíbrio conseguido ao longo do disco é importante para manter o ouvinte atento, evitando as canções de encher, e mostrando um cuidado especial na escrita, fruto da experiência adquirida não só em estúdio mas também durante as várias digressões que têm realizado sozinhos ou com bandas como Misfits, Dropkick Murphys ou 7 Seconds. Actualmente, os Reach The Sky vivem na estrada, saltando de digressão em digressão, para tentarem chegar mais perto do céu. Pormenor curioso, o facto de nenhum dos membros da banda conseguir manter emprego algum, já que a vida na estrada é sempre a prioridade, assumindo a banda como uma ocupação a tempo inteiro. Como deveria ser sempre, num mundo perfeito. Pode ser que destes dias passem por cá...
Pedro Esteves
(Mondo Bizarre # 6)
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