ROCKET FROM THE CRYPT
CORAÇÃO DE COBRA
Os Rocket From The Crypt, são mais um exemplo do sucesso alcançado por luso-descendentes no estrangeiro. John Reis, mais conhecido por Speedo, é o líder de um dos combos mais pujantes do rock'n'roll mundial. Em 2001, "Group Sounds" marca o regresso da banda às edições, com treze temas arrebatadores, no mesmo ano em que completam treze anos de vida. Será que este é o seu número da sorte?
Descrever uma banda como os Rocket From The Crypt (RFTC) não é tarefa fácil. A simplicidade às vezes torna-se complicada. Mas se tentar juntar descrições com dados biográficos talvez seja mais simples. Formados em 1988, pela mão de Speedo os RFTC cedo mostraram as potencialidades da sua música, num misto de punk e rock'n'roll que não limitava a sua formação ao habitual guitarra-baixo-bateria, acrescentando-lhe uma poderosa secção de metais. Seria pela mão da Headhunter, uma subsidiária da independente Cargo Records, que editariam "Paint As A Fragance", o ponto de partida para uma ascenção segura dentro do movimento alternativo americano.
Depois de alguns anos a lutar na sombra, tempo em que editam os álbuns "Circa: Now", "All Systems Go", "The State of The Art is on Fire" e "Hot Charity" chega a vez de serem convidados a fazer parte da poderosa Interscope. "Scream, Dracula, Scream", de 1995, é um ponto de viragem na carreira dos RFTC. Por esta altura já se apresentavam todos de igual em palco e o futuro parecia promissor. No entanto apesar de terem composto alguns dos melhores temas até então, como "Born In 69", "Drop Out" e em especial "On A Rope" e fazerem digressões só recomendadas a quen não sofre de stress nem de vontade de estar muito tempo em casa, não conseguem vender muito mais do que antes. O álbum seguinte, simplesmente intitulado "RFTC" passa quase despercebido por falta de promoção, para infortunio da banda.
Por falta de vendas, por fim de contrato ou falta de apoio, o que é certo é que em inícios de 2000 já não faziam parte da Interscope. Na mesma altura o baterista Atom decide que é tempo de se dedicar a outros projectos e enquanto não encontram nova editora e um substituto à altura, cada elemento gastou as suas energias em projectos paralelos, á semelhança de Speedo que editou um álbum sob o nome de Back Off Cupids. Pouco depois, começam a desenhar "Group Sounds", que acabaria por ser gravado em estúdios diferentes. Apesar disso, "Group Sounds" resulta um disco homogéneo e equilibrado, onde a maioria dos temas vai dos dois aos três minutos e pouco, dispostos num regime quase non-stop, de tirar o fôlego. A produção, a cargo dos próprios RFTC, mostrou-se eficaz e hoje soam melhor do que nunca. A brilhante secção de metais é, ao mesmo tempo, uma grande parede de som, imagem de marca da sonoridade dos Rocket From The Crypt.
Hugo Moutinho
(Mondo Bizarre # 7)
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