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ROYAL TRUX
O ROCK'N'ROLL REVISITADO
Os Royal Trux estão de regresso. Bem, quase que não podemos falar em regresso, já que discos é o que não tem faltado ultimamente a esta banda, uma das mais interessantes do panorama rock actual a surgir no país da McDonalds.

Depois da passagem pelas majors com "Thank You" (1995) e "Sweet Sixteen" (1997), os Trux encarrilharam de novo nas pequenas editoras e no trilho dos álbuns curtos e duros. Mas sem antes erguerem o magnífico álbum de recordações "Singles, Live & Unreleased" (1997), na minha opinião o melhor documento para perceber tudo aquilo que Hagerty e Herrema, o casal de nova-iorquinos mais sexy do rock, conseguem fazer. Em 1998, os Trux aceleraram com o exultante "Accelerator" e em 1999 voltaram a construir uma muralha sonora fora dos trâmites usuais, "Veterans of Disorder", pela qual não foram reconhecidos nos meios musicais. Um erro tão grande como deixar passar em claro este "Pound for Pound". Em 4 anos é obra, para não falar de tudo o que ficou para trás, desde os idos de 1985, data que marca o ponto de partida dos Trux, e dos anos anteriores passados no seio da melhor banda de garagem de todos os tempos, os Pussy Galore.

Apesar desta pequena resenha do passado recente e antigo dos Trux, o presente artigo reporta-se ao último disco da banda "Pound for Pound". As mudanças não são substanciais face aos derradeiros álbuns e o som continua a reportar-se ao bom velho rock'n'roll dos anos 70. Basta ouvir os dois primeiros temas para ficarmos rendidos.

A essência dos Trux está no espírito, e é isso que faz deles uma banda única e diferente, bem mais diferente e única que o também ex-Pussy Galore, mas muito mais mediático, Jon Spencer. Os Royal Trux, não fazem um rock bem comportado, como muitas bandas que andam por aí, nomeadamente as inglesas. Eles conseguem tornar o blues ainda mais triste, ao mesmo tempo que torturam guitarras, gritam, partem baterias e outras sevícias que tal. Muitos são aqueles que os criticam de cinismo, pretensiosismo, e outros "ismos" que tal. Outros acusam-nos de reencarnarem os AC/DC, versão diabólica, ou de serem a demonstrração viva de que os Roling Stones são uma banda anacrónica. E, enfim, há ainda aqueles que vibram simplesmente com a música dos Royal Trux, porque simplesmente ela lhes faz lembrar que essa parvoíce de que o rock está morto é simplesmente isso: uma parvoíce. E que uma banda não precisa de passar a vida a fazer discos quase inaudíveis só porque tem um estatuto fictício a manter. Enquanto os Royal Trux se mantiverem na presente linha, é de esperar muitos e bons discos para os próximos anos. Mas nunca de uma forma inteiramente fácil, já que como diz Jennifer Herrema em "Fire Hill", "first you gotta put up a fight".

Vasco Durão
(Mondo Bizarre # 4)