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RYAN ADAMS
RYAN, O TERRÍVEL
Em três anos, Ryan Adams editou três discos fundamentais ao estudo de como o alt-country se tornou um género consumível para uma vasta audiência. "Demolition" não é o sucessor apropriado de "Gold" do ano passado. É, antes, uma colectânea de demos de canções e sobras de intenso labor no estúdio.

Depois de passar parte da sua adolescência à frente de uma banda que apontava como referência essencial os Hüsker Dü, um jovem de 20 anos funda os Whiskeytown. Natural de Jacksonville, Ryan Adams terá ouvido o chamamento das musas da country e das deusas da pop. Na ressaca da edição do primeiro álbum do colectivo, os Whiskeytown foram vaticinados no oráculo da crítica como capazes de fazer pelo country alternativo o que os Nirvana haviam feito pelo grunge. No entanto, logo após a assinatura de um acordo com uma multinacional, a Outpost Records, subsidiária da Geffen, a formação tornou-se instável e as actuações pobres e inseguras. Em 1999, gravaram o terceiro e último álbum, que não chegou a ser editado devido a conflitos editoriais. Seguem-se o colapso da banda e a decisão do seu fundador de entrar para um estúdio de Nashville com os letristas Gillian Welch e David Rawlings. Dessas sessões resultou o seu primeiro álbum em nome próprio - "Heartbreaker", editado em 2000. A Lost Highway Records, uma subsidiária da Universal pela qual Ryan Adams assinou algum tempo depois, editou finalmente "Pneumonia" no início de 2001, o derradeiro registo dos Whiskeytown. Alguns meses mais tarde, a mesma editora lança "Gold", o segundo álbum a solo, que convoca influências marginais à country como a pop clássica e alguns tiques do rock dos anos 70.

Senhor de uma composição prolífica, em pouco mais de um ano, Ryan Adams tinha já escrito e gravado material suficiente para quatro álbuns. Desse caudal criativo foram seleccionadas 13 canções para integrar "Demolition". Nesse período intermédio, proliferavam nas páginas do jornal britânico New Musical Express informações alusivas a Ryan, a propósito de uma reconstituição sua num registo blues do álbum "Is This It?" dos Strokes. Tal aventura nunca chegou aos ouvidos do mundo, não havendo também qualquer data para a sua eventual reprodução em disco. Exceptuando a lapidação pop do tema de abertura, 'Nuclear', o toque aveludado de 'Cry On Demand' e o revestimento acústico de 'Chin Up, Cheer Up', todos os restantes temas de "Demolition" são esboços de canções, composições em bruto, não polidas. 'Jesus (Don't Touch My Baby)' é, a título de exemplo, um cântico inacabado, adornado por coros celestes diluídos na amálgama sonora. A este disco ficam a faltar certos elementos estruturantes que lhe concedam uma unidade temática consistente.

Consta que, durante um concerto em Nashville no mês passado, Ryan ofereceu o preço do bilhete a um homem na plateia que lhe pedia para tocar 'Summer of '69' de Bryan Adams. Entretanto, Ryan Adams afirmou já que planeia editar o efectivo sucessor de "Gold" no próximo mês de Março. Uma das novas canções vem em "defesa dos homens" e em jeito de réplica ao single "Boys" de Britney Spears. O músico diz que o seu tema ataca a ideia preconcebida de que os homens não podem ser intelectuais românticos.

Helder Gomes
(Mondo Bizarre # 13)