SCHNEIDER TM
UM SONGWRITER ELECTRÓNICO
Schneider TM é o projecto de um homem só, coisa nada rara no panorama electrónico internacional. Vem da Alemanha, terra natal de outros férteis arautos da electrónica, como, os Mouse on Mars, grupo cuja identidade estética se assemelha, a espaços, com a de Schneider TM.
Nos últimos 3 anos, Schneider TM, na realidade, Dirk Dresselhaus, tem-se dedicado ao trabalho de remisturas de grupos como Lambchop, Labradford, Ruby, High Llamas entre outros. Começou por tocar bateria, guitarra e a cantar em bandas alemãs de rock independente, para depois enveredar pela senda profícua da electrónica. Editou em nome próprio uns quantos discos, entre os quais o álbum de estreia "Moist" (1998) e o aclamado EP "Binokular" (2000). Schneider TM tem revelado uma grande sentido de oportunidade e uma acentuada capacidade de evolução criativa, comprovada este ano com a edição do segundo álbum de originais "Zoomer". A sua veia electrónica encontra-se num hemisfério oposto à veia electrónica de uns Autechre, ou de um Amon Tobin, ou de um Oval, por exemplo. A música de Dirk Dresslhaus nada tem de fria, cerebral ou minimal; antes reflecte estados de ânimo esfuziantes, com melodias repletas de glamour e vocalizações (sim, esta electrónica é cantada!) suaves como algodão. Recorde-se que foi este músico alemão que fez um versão arrojada do tema dos Smiths "There's a Light That Never Goes Out".
Ainda assim, não se pense que "Zoomer", o segundo álbum de Schneider TM nos remete para um repasto musical altamente dançável, mainstream e com potenciais hits radiofónicos. Os oito temas que constam nesta rodela de CD, até podem ter um pouco das características atrás descritas, mas são mais do que isso. São matéria orgânica muito bem cozinhada em estúdio - ao longo dos últimos 3 anos - e congeminada com base numa sensibilidade electro-avant-synth-pop muito refinada e trabalhada. Por outras palavras, a experimentação não é um conceito alheio à metodologia de trabalho de Schneider TM, visto que dela faz uso para criar essa subtil (mas difícil arte) de combinar o imediatismo melódico com alguma rispidez e crueza de sons electrónicos. As músicas falam de temas triviais, ou não fosse Dirk influenciado, como o próprio indica, pelos sonhos e por esses momentos fátuos entre o sono e a vigília. São nesses momentos de verdadeira e secreta inspiração que o músico alemão aproveita para explorar a sua (sub)consciência, extraindo desta todos (ou alguns) dos elementos mais importantes e cruciais do seu trabalho criativo. Daí constatar que a sua música é constituída por notáveis momentos lúdicos, ricos em texturas sonoras e proeminente em felizes contrastes tímbricos. Por outro lado, a vertente acústica também não foi esquecida, visto que o álbum tem início precisamente com o recurso a instrumentação acústica. "Zoomer" está aí para provar que chegou para ficar essa vertente electrónica que assenta num misto de pureza melódica e numa acentuada subversão dos valores da experimentação. Consegue surpreender, principalmente se tivermos em conta que recorre a instrumentação electroacústica para construir canções de fino recorte em termos de estilo. Um dos discos para figurar nos lugares cimeiros da edição discográfica electrónica de 2002.
Victor Afonso
(Mondo Bizarre # 13)
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