SPIRITUAL BEGGARS
VIDENTES ESPIRITUAIS
Quando no próximo dia 16 de Julho, em Vilar de Mouros, os Spiritual Beggars subirem ao palco tornar-se-ão na primeira formação de stoner rock a pisar palcos nacionais. Anos depois de Cathedral, Kyuss e Obssessed, numa altura em que o movimento se sedimenta dos dois lados do Atlãntico, Portugal recebe um dos grandes embaixadores do género.
Transformados em quarteto com a inclusão recente de Per Wiberg, os Spiritual Beggars incorporaram assim a sonoridade de um orgão Hammond, bem ao estilo seventies que tanto prezam.
Mais que as habituais referências a Black Sabbath, bebem em fontes tão diversas como Deep Purple, Mountain ou Mahogany Rush e, de uma forma geral em todo o acid rock e proto punk nascido em Detroit e que varreu a América dos inícios da década de 70 mais rapidamente que um qualquer vírus informático do século XXI.
Com um vocalista/baixista chamado Spice, bem antes das outras Spice, os Spiritual Beggars, resultaram da saída do guitarrista Mike Amott dos Carcass e da sua junção a Spice e outros. As mudanças de formação conduziram ao quarteto actual em que a bateria é martelada por Ludwig Witt. Este é o grupo que grava «Ad Astra», o quarto longa duração da banda com sede na Suécia.
Numa altura em que tantas formações marcam o estilo, e em que se definem, dentro do estilo, correntes tão variadas como o desert rock e o space rock, «Ad Astra» é a maturidade de um estilo a precisar de ícones que lhe permitam colocar-se na galeria dos grandes estilos do rock. «Ad Astra» significa «Para as estrelas» e é um elogio do rock, e de toda uma iconografia da década de 70.
De 92, data de nascimento até 2000, gravaram quatro trabalhos, num ascendente de qualidade e reconhecimento que os leva a estarem, hoje, na linha da frente. Verdadeiros herdeiros, não só dos anos 70, mas de um certo rock/grunge que por momentos habitou em Seattle na década passada e que foi assassinado brutalmente por um grupo de jornalistas e editoras na procura do dinheiro fácil…
Emanuel Ferreira
(Mondo Bizarre # 3)
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