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STEROID MAXIMUS
Mil e Uma Caras
Jim G. Thirlwell tem mil e uma caras e Steroid Maximus é mais uma das faces do homem que o mundo conhece como Foetus. "Ectopia" está carregado de ambientes cinematográficos, qual banda sonora de filmes “noir” que só existem na nossa imaginação.

Há muito que alguns acompanham o trabalho de Jim G. Thirlwell. Outros perguntarão quem raio é este homem. Se quisermos ser breves podemos dizer que Jim G. Thirlwell é um dos mais interessantes compositores contemporâneos. Mas Jim G. Thirlwell merece mais do que isso. Nas últimas duas décadas tem criado alguns dos discos arrojados, desdobrando-se em múltiplos pseudónimos (Foetus, Clint Ruin, Steroid Maximus, Wiseblood, DJ Otefsu, Manorexia, Baby Zizanie) e trabalhando com pessoas como Lydia Lunch, Roli Mosimann (ex-Swans) ou Marc Almond (Soft Cell). Com o cérebro num constante turbilhão criativo Thirlwell tem necessidade de separar as águas e dividindo as suas composições por diversos pseudónimos, mas quando trabalha sozinho. Steroid Maximus é a faceta mais negra e experimental de Thirlwell. Depois de em 2001 ter editado um novo álbum de originais como Foetus ("Flow") seguido de perto por uma réplica em versão remisturada ("Blow") por nomes como Kid606, Amon Tobin, Franz Treichler (Young Gods) ou Pan Sonic, este ano é a vez do projecto Steroid Maximus regressar de um sono de dez anos com a edição de "Ectopia", primeiro elo de ligação à editora Ipecac, de Mike Patton. É neste projecto que reúne as suas composições de cariz cinematográfico, influenciadas pelos filmes policiais negros, espionagem e serie B. A experiência nesta área levou-o a trabalhar com Richard Kern, realizador underground de culto, autor de filmes onde a violência e o sexo andam lado a lado; e na adaptação cinematográfica do livro de J.G. Ballard "The Atrocity Exhibition". Se "Quilombo" ou "Gondawanaland " já tinha mostrado Thirlwell como o Ennio Morricone do cinema negro, "Ectopia" apresenta-o como o Barry Adamson branco, tal é a proximidade do trabalho de ambos na fase menos pop de Adamson. Gravando quase todo o disco sozinho, situação habitual em quase toda a sua extensa obra, Thirlwell faz uso criativo da tecnologia, reproduzindo a grandeza das orquestras e as sonoridades soturnas da cidade.

Essencialmente instrumental, "Ectopia" cria no cérebro do ouvinte uma sucessão de imagens sugerida pelo desenrolar de cada tema: perseguição, tensão, terror, espiões, um bar de frequência duvidosa, etc. "Ectopia" contraria igualmente a norma instituída nalguns discos deste género, onde a falta de dinâmica é, por vezes, associada a composições de difícil digestão. Aquilo que Thirlwell cria são pequenas peças de um filme em constante movimento, prendendo os sentidos do principio ao fim do disco. Apesar de utilizar elementos orquestrais na obra de Foetus, Thirlwell tem a consciência que a voz distrai o ouvinte, não permitindo a percepção dos pormenores.

A ideia principal de "Ectopia" será a sugestão visual nosso cérebro, fugindo à ligação imagem-som que estabelecemos depois de ver um determinado vídeo ou filme associado a uma música. Thirlwell prefere que as pessoas interpretem a música de "Ectopia" à sua maneira, estando certo que cada pessoa criará uma história diferente dentro de um mesmo conceito. Para breve está prevista a transposição do projecto Steroid Maximus do estúdio para um palco onde Thirlwell irá contar com um ensemble de dezanove músicos. Com a colaboração do orquestrador Steven Bernstein, Thirlwell pretende dar uma nova vida aos temas. Espera-se que o concerto seja gravado para posterior edição.

Hugo Moutinho
(Mondo Bizarre # 12)