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STROBE/JAD FAIR
UM MUSICO PROLÍFICO
Formados em 1999 para uma mini-digressão em Portugal, os Strobe são a nova encarnação de Jad fair, o mago manhoso que nos faz sorrir. Em “Daydreamy”, álbum de estreia da banda, Jad Fair assume a sua fama de estrela discreta do firmamento musical alternativo norte-americano, acompanhado de um outro Half Japanese, Mick Hobbs, e do “desconhecido” Benb Gallaher, continuando a sua cruzada de transfiguração do rock.

Uma das figuras mais activas no que se refere à música alternativa norte-americana, dos últimos 20 anos, tem sido a de Jad Fair, músico que conta já com uma vastíssima carreira, quer a solo, quer em colaborações com outros músicos de nomeada (John Zorn, Fred Frith, Yo La Tengo, Don Fleming, Maureen Tucker, etc). Jad Fair foi o fundador de uma banda essencial do panorama rock dos EUA, os Half Japonese – banda que influenciou um largo espectro de grupos históricos, dos Nirvana aos R.E.M, dos Dinossaur Jr. aos Sonic Youth -, e já esteve em Portugal em 1998 para um concerto que se realizou na Póvoa de Varzim.

No ano a seguir, acompanhado de outros dois músicos, visitou novamente o nosso país para uma mini-digressão que o levou aos palcos do Rivoli, Bar Labirintho, Luft e Galeria ZDB. A este colectivo de músicos em formato trio Jad Fair deu a designação de STROBE, assumindo as vocalizações e composições do grupo (foi com esta formação que se apresentou em Abril no Festival Cais do Rock, na Póvoa de Varzim). De resto, aproveitando a estadia em Portugal durante o ano de 99, Jad Fair gravou um álbum – com edição limitada de 600 cópias - com o nome "Daydreamy", com edição da independente portuguesa LowFly Records.

"Daydreamy" apresenta 23 temas que se movem algures entre sonoridades rock, pop e salpicos de um certo experimentalismo electrónico, características já exploradas na obra discográfica dos Half Japonese. Em termos estritamente musicais, neste novo disco, Fair toma as rédeas das vocalizações, estando os outros instrumentos a cargo de Benb Gallaher e Mick Hobbs. Não é um disco que surpreenda pela excelência das propostas sonoras, mas também não deslustrará, certamente, a carreira do músico americano: existem boas canções,"Until Now", "Yes, We Can", quase todas elas de curta duração, mas existem também outros temas demasiado formatados e inconsequentes ,"Dust", "Beware". Este facto revela que "Daydreamy" é um disco desigual e até desequilibrado. De qualquer das formas, ouvindo este disco, é inevitável pensar como o estilo musical praticado por Jad Fair influenciou, ao longo dos últimos anos, grupos contemporâneos como os Gomez, dEUS ou os Yo La tengo. Por conseguinte, "Daydreamy" reflecte o rock emergente e descomplexado, submergido por riffs acutilantes de guitarra sob a forma de canções insubmissas, outras previsíveis, mas todas elas, no geral, devedoras da tradição rock independente dos últimos 20 anos.

Victor Afonso
(Mondo Bizarre # 3)