THE FAINT
A REVOLUÇÃO DANÇADA
Ao lado dos Bright Eyes e dos Cursive, o colectivo The Faint é uma das propostas da etiqueta Saddle Creek Records. Editado há um par de anos, “Danse Macabre” só agora começa a infiltrar-se no circuito comercial europeu, através da City Slang. O manifesto punk nele incluso irrompe das batidas mais dançáveis, fazendo desfalecer os frequentadores assíduos das pistas.
Com sede artística em Omaha, originalmente denominados Norman Bailer, os Faint começaram por integrar os actuais membros Clark, Todd Baechle e Joel Peterson. Os primeiros anos foram uma mescla sonora de pop adulterada e ideais punk dos tempos em que andavam de skate. No início, uma edição em cassete de tiragem muito restrita e algumas contribuições e amostras em discos partilhados eram os únicos argumentos da formação. Depois do alistamento de Matt Bowen, o regimento estava completo e apto a avançar, decorria o ano de graça de 1998. O primeiro disco, “Media”, significou uma introdução tímida, mas foi já um punhado de areia nos olhos da crítica e do público, ao convocar a pop da nova vaga e nela introduzir planos acústicos. Quando começava a afirmar-se um culto em torno dos Faint, o recruta Bowen abandona a missão e deixa entrar Jacob Thiele para o comando dos teclados. No advento do ano seguinte, “Blank Wave Arcade” compromete a banda com um novo credo de estilo: toda a lógica de dança fustiga os arranjos dos anos 80, com os quais a música que fazem está em dívida.
No mês de Agosto de 2001, a penumbra começa a insinuar-se no seu mais recente trabalho, terminado que estava o processo de gravação de “Danse Macabre”. É também por essa altura que o guitarrista Dapose, com um passado no death metal, se junta à fornada de criativos dos Faint. A revolução chega atrasada à Europa, mas, desde o ano da sua edição original, “Danse Macabre” tornou-se um dos títulos com maior saída da Saddle Creek. É um disco pulsante e suado, que desfere golpes na discussão sobre a censura, o compromisso e o adormecimento sociais, a morte e a violência. Este é um álbum de balanço entre a estética punk rock e os condimentos electrónicos, onde as letras profanam o surrealismo e apontam na direcção da decadência da club scene. Os artefactos que a sua audição desnuda passam pelos esquemas repetitivos, por uma voz projectada a uma dimensão apenas, pelas teclas que induzem a hipnose e uma bateria de uma secura viciante. A primeira alínea na ordem de trabalhos chama-se ‘Agenda Suicide’, uma canção acessível mas não instantânea, talvez pela crueza lírica que a acompanha. As guitarras estão mais presentes em ‘Total Job’, enquanto ‘Glass Danse’ é a composição mais vítrea, com muitos sintetizadores e quase sem cordas nem voz. Já ‘Let the Poison Spill from Your Throat’ e ‘Violent’ são os temas que melhor ilustram o equilíbrio de abordagens. Na árvore genealógica da música, os Faint parecem pertencer ao mesmo ramo que os Radio 4, estes naturais de Nova Iorque.
Depois de “Danse Macabre”, os Faint retomaram a vida de palco e ainda lançaram “Dust/Mote” através da GSL em Outubro de 2001, edição que inclui duas remisturas, a revisitação do tema ‘Mote’ dos Sonic Youth e uma faixa com a colaboração de Conor Oberst, compositor dos Bright Eyes.
Helder Gomes
(Mondo Bizarre # 14)
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