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THE (INTERNATIONAL) NOISE CONSPIRACY
UIVOS SITUACIONISTAS
Depois dos Refused que, assinaram com "The Shape Of Punk To Come", um dos mais interessantes discos punk europeus dos anos 90, Denis Luxzen formou os The (International) Noise Conspiracy. Apostados em destruir o mundo em nome do rock e munidos de artilharia cultural do calibre de Debord, Chomsky ou do som dos MC5, são uma das mais emotivas bandas do momento.

No video de "New Noise", dos Refused, quatro cavalheiros vestidos como se tivessem saido de uma tertúlia da Internacional Situacionista ou dos turbulentos tempos do Maio de 68, saltam, dão pontapés no ar e atiram-se furiosamente à música. Nas imagens que acompanham "Smash It Up" dos T(I)NC, cinco personagesn de impecáveis fatos claros gingam ao som de uma canção virulenta e caótica. A imagem é tão importante como a música e as palavras permitindo uma empatia imediata entre a violência do discurso e a atitude do grupo. Esse cuidado estende-se ao booklet de "Survival Sickness" onde são descritas as ideias por trás de cada canção e apresentados os vários elementos que servem de manifesto ao grupo.

Se, a nível sonoro os T(I)NC se situam muito próximos da linha de Detroit, a sua combinação de rock, subversão cultural e e vontade de mudar o mundo (em nome do rock e da revolução) está próxima da dos Manic Street Preachers. Se os galeses juntaram ao punk a posse glam e as canções em forma de hino bem ao jeito do hard rock FM, os Suecos continuaram a linha punk rock clássica dos MC5. Ambas as bandas tem Guy Debord e Noam Chomsky como velhos companheiros de viagem. Os slogans de "Smash It Up" são parecidos com os que surgem em "You Love Us", "Revol" ou "A Design For Life". Uns chegaram ao primeiro lugar do top inglês com uma canção que abre com uma citação de Chomsky , ou outros permanecem, por ora, confinados a um universo mais restrito. Mas não é por isso que a sua força é menor. Muito pelo contrário. "Survival Sickness" é um disco armadilhado de canções apontadas ao amâgo do sistema capitalista. As palavras e as ideias, próprias e as aglutinadas - esse utilizar de ideias expressas por outros fora do seu contexto original ou como parte da nossa própria arte é outra herança situacionista - são servidas embrulhadas numa manta sonora certeira que não deixa tempo para suspiros ou reticências. Tudo é directo e atirado à cara de quem ouve. Não sendo um disco punk ao nível sonoro de uns Sex Pistols ou Dead Kennedys, "Survival Sickness" é tão "in your face" como "Never Mind The Bullocks" ou "Bed Times For Democracy".

Num mundo, como o definiu Debord, em que todos somos parte da Sociedade do Espectáculo, os T(I)NC são um dos seus membros mais críticos. Mas como ser-se uma prostituta cultural é o que está reservado a todos que tornam o seu trabalho público, à banda só resta continuar a ser uma rameira de luxo.

Raquel Pinheiro
(Mondo Bizarre # 4)