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TORTOISE
A MARCHA DA TARTARUGA
Muito já foi dito e escrito sobre os Tortoise, desde “testas de ferro” da cena de Chicago até precursores do chamado pós-rock. Uma coisa é certa: esta banda foi uma das mais inovadoras da segunda metade dos anos 90. Mas mais do que a novidade do quarto álbum que acaba de chegar ao mercado, 2001 fica marcado pela confirmação de um concerto em Lisboa, no dia 31 de Março. E ainda por cima com os Sea and Cake.

“Standards” demorou mais de dois anos a chegar até nós devido à longa digressão em que os Tortoise embarcaram durante 1998 e 1999 e que os levou dos EUA até à Europa, América do Sul, Japão e Austrália. Para além do trabalho nos inúmeros projectos paralelos: Isotope 217, The Sea and Cake, Eleventh Dream Day, Chicago Underground Duo/Trio, Brokeback, Pullman...

Mas valeu a pena esperar. Se a frase do poeta “primeiro estranha-se, depois entranha-se” se aplica na perfeição aos Tortoise, não é menos verdade que “Standars” é de todos os álbuns o mais directo, o mais imediatamente perceptível, mas também o mais irrequieto e o mais maduro. Talvez porque a banda já tenha atingido um estado de apuramento do som que lhe permite fazer música de olhos fechados.

A faceta mais próxima do rock de “Tortoise”, a fórmula secreta de “Millions Now Living Will Never Die”, e as melodias brancas de “TNT”, estão todas em “Standards”, sempre com as percussões de McEntire, Herndon e Bitney a marcar passo e a omnipresença discreta do baixo de McCombs e da guitarra de Parker. O resultado é uma fusão de instrumentos eléctricos, acústicos e sintetizados, pautados pela magia do jazz e do rock: desde a entrada estridente de “Seneca” às melodias líricas de “Blackjack”, passando pelos ritmos embalantes de “Benway” ou “Monica”, em todas as moléculas das notas musicais produzidas estão lá os Tortoise.

A grande diferença para os registos prévios, particularmente face ao anterior, está no facto de “TNT” ter sido construído em estúdio, a partir de segmentos gravados, improvisados ou alterados electronicamente, enquanto que as sessões de “Standards” só começaram após um longo período de composição e ensaios. Ou seja, em “Standards” o estúdio só foi utilizado para melhorar as composições já existentes. Daí que algumas sonoridades nos reportem ao som menos adornado das primeiras composições da banda.

Tudo isto significa que aos aficcionados dos Tortoise, “Standards” vai efectivamente soar ao som standard dos Tortoise, nas suas múltiplas representações, mas com um sabor mais profissional. E para os que apanham a marcha da tartaruga neste estádio, este disco vai provavelmente ser uma agradável e refrescante surpresa. Em suma, “Standards” é o excelente resultado de uma lição bem aprendida. E concerteza que os nossos ouvidos vão ter muito a aprender na noite de 31 de Março. Porque se este é o som em estúdio, nem imagino como será ao vivo.

Vasco Durão
(Mondo Bizarre # 6)