...AND YOU WILL KNOW US BY THE TRAIL OF DEAD
A DEFINIÇÃO DO CAOS
Seguramente uma das formações rock mais excitantes vindas do outro lado do Atlântico, os ...And You Will Know Us By The Trail Of Dead regressam com "Source, Tags And Codes", brilhante terceiro álbum, onde beleza, violência, ruído, lirismo e melodia convergem para um mesmo ponto.
Após dois álbuns que fizeram as delícias de uma certa juventude sónica (o segundo, intitulado "Madonna", foi a verdadeira "rampa de lançamento" da banda), os ...Trail Of Dead trocaram a editora "indie" Merge (para quem não sabe, é a editora pertencente a Mac McCaughan dos Superchunk) pela poderosa Interscope. Esta contratação só vem confirmar o actual estado de graça em que se encontra o rock norte-americano vindo do "underground", que é cada vez mais um viveiro de formações que constituem uma verdadeira alternativa a um "mainstream" demasiado apático e doente graças à proliferação de "boys bands" e bandas nu-metal. Os ...Trail Of Dead estão a atrair cada vez mais as atenções da imprensa musical e, consequentemente, de um público cada vez mais numeroso.
"Source, Tags And Codes" é, portanto, o primeiro passo de uma nova fase do combo de Jason Reece, Conrad Kely, Kevin Allen e Neil Busch. Mas não esperem facilidades, pois embora este novo álbum contenha alguns pedaços de música mais acessíveis do que qualquer coisa que a banda tenha feito anteriormente, a atitude de não compromisso a nível artístico, mantém-se inviolável. A influência central continua a ser Sonic Youth, como é notório no tema de abertura "It Was There That I Saw You", ou "Another Morning Stoner" (o mesmo tipo de arquitectura sonora - especialmente da fase "Evol" - e o mesmo tipo de diálogos acutilantes de guitarras), mas acima de tudo, o que prevalece é a marca ...Trail Of Dead, cada vez mais distinta, numa personalidade musical vincada que se vai aperfeiçoando de álbum para álbum. A comprovar isso mesmo estão grandes canções verdadeiramente inspiradas como é o caso de "Baudelaire" ou "Heart In The Hand Of The Matter" (esta última de uma beleza incandescente de contornos épicos), alternadas com violentas rajadas de furiosos decibéis, de que é exemplo "Homage", pura descarga raivosa de punk rock selvagem e caótico, deixando-nos zonzos, confusos e atordoados, sem sabermos muito bem onde estamos. O quarteto texano produziu mais uma boa colheita de canções com ambientes variados, utilizando pontualmente e de forma inteligente o piano ou uma secção de cordas que funcionam como contraponto melódico nos momentos de maior apaziguamento, que habitualmente sucedem às tempestades de electricidade.
Intensos, apaixonados, niilistas, românticos, explosivos, terroristas, viscerais, góticos, sonhadores, anarquistas, neuróticos... São assim os ...And You Will Know Us By The Trail Of Dead.
Nuno M. Castêdo
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