TREMBLING BLUES STARS
MELANCOLIA DORIDA
Ao terceiro album, “Broken Whispers”, os britãnicos Trembling Blues Stars continuam a fazer canções dolentes, repletas de palavras de encanto e despedida. Bonitos e límpidos como quase já não se ouve, os temas dos Trembling são um bálsamo para os tempos conturbaos em que vivemos.
Nascidos das cinzas dos Field Mice e dos Northern Picture Library, os Trembling Blue Stars de Bob Wraten nasceram, tal como as bandas anteriores, em Mitcham, nos arredores de Londres. O nome, esse, foi tirado de uma passagem da novela erótica “A História de O” de Pauline Réage. Livro sobre a poder e as relações sexuais. O ambiente pesado , sufocante, misto de masoquismo e sadismo de “A Historia de O” pouco parece ter que ver com os sons cristalinos e calmos dos Trembling Blue Stars. As canções falam de relações falhadas, de solidão, e de um amor ou uma amizade, importantes e essenciais no passado, no presente reduzidas a cinzas.
O primeiro álbum dos Trembling Blue Stars, “Her Handwritting”, descreve o fim da relação de Bob e Anemarie, também ela membro dos Field Mice, Norther Picture Library e Trembling Blue Stars. O som melancólico manteve-se em “Lips That Taste Of Tears”, o segundo álbum. Este ano chega “Broken By Whispers”. A voz de Bob continua a lembrar o mar, a névoa, dias frios passados junto à costa. Em “Broken By Whispers” ainda se encontram ecos de Ben Watt, Nick Drake, Biff Bang Pow, Belle and Sebastian. Mas há uma energia que remete para os Go Betweens ou para os Triffids.
Mergulhado em delicadas canções, rendilhadas, suaves e perfeitas como “ Ripples”, “Sometimes I Still Feel The Bruise”, onde às guitarras e à voz se junta um ritmozinho dançavel como em “To Leave It Now”, que tem uns teclados anos 80 a fazer lembrar os Kraftwerk ou”Back To You” com um ritmo trip-hop, “Broken By Whispers” leva os Trembling Blues Stars um pouco mais longe. Para todos os que achavam que a pop menos alegre e infantil estava morta e enterrada, “Broken By Whispers” é a prova dos nove.
Raquel Pinheiro
(Mondo Bizarre # 3)
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