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TURBONEGRO
Give me death punk, baby!
A invasão escandinava só agora se completa. Os noruegueses Turbonegro são um caso único em todos os aspectos. Com o seu muito próprio sentido de humor, desafiam géneros e brincam com tabus. 2003 é o ano de “Scandinavian Leather”, o glorioso e apocalíptico regresso em grande dos reis do death punk.

Em 1998, após uma mítica carreira de excessos, a turbulenta implosão dos Turbonegro por entre drogas e esquizofrenia não foi surpresa. E (para além do dinheiro) porquê a reunião? Happy Tom: “Já estivemos em asilos psiquiátricos, clínicas de metadona, fomos alvejados e espancados em concertos mas não se conseguem livrar de nós – somos as baratas do rock’n’roll! Claro que as reuniões são más, mas também está na tradição dos Turbonegro fazer tudo errado.” E não promete, como todas as bandas que se reformam, dar 100 por cento mas um mínimo de 70 a 80 por cento. Já chega para alegrar aos milhares de fãs, com t-shirts, blusões de ganga, e pinturas alusivas aos reis do death punk, que na bem sucedida experiência dos festivais de 2002 provaram que a TurboJugend (“Juventude Turbo” - o exército de fãs por todo o mundo, organizado localmente, que já conta com várias bandas de tributo) está de saúde e esteve em grande crescimento durante a pausa. Talvez tenha ajudado menções altamente elogiosas por parte de nomes como Jello Biafra, Hives, Metallica ou Beck.

Agora, aos treze anos de existência, sete com esta formação, e depois de uma pequena pausa, eles estão de volta! Novo disco, nova digressão mundial (com os Queens of the Stone Age, outros fãs confessos), e mais exuberantes sessões fotográficas. Mas não se deixem enganar pela ridícula aparência (“os Village People do rock” não é uma má descrição), pois por trás da forte imagética gay, cheia de glamour e excesso de maquilhagem está uma banda que toca puro rock, cru, pesado e eufórico mas sempre com espaço para devaneios épicos ou mutações personalizadas de tiques de retro metal. E o seu peculiar escuro humor, bem patente nas suas letras, liga estranhamente bem com a espécie de glam punk rock enérgico que é descarregado pelos seis noruegueses. A única coisa onde se pode acreditar que não haja ironia é o seu amor e dedicação ao poder do rock’n’roll. E depois de uma obra do calibre de “Apocalypse Dudes”, será que é possível superarem-se? O novo “Scandinavian Leather” não foge muito ao anterior. Talvez seja mais melódico, e tenha uma produção mais aproximada da grandiosidade. Não há portanto desilusões de maior, embora haja um pequeno susto com o deflepardiano “Sell Your Body To The Night”, mas eles são mesmo assim. Escutar o que parece uma secção de cordas em “Fuck The World” (primeiro single de vários possíveis) não seria muito imaginável ao ouvir os primeiros discos, mas liga bem com o seu novo estatuto emergente do underground.

O nosso guitar hero preferido Euro Boy brilha novamente, fornecendo material de sonho para qualquer “air guitarist” e, aparte o bigode, Hank continua a sua fixação AliceCooperiana. De modo que talvez a maior diferença seja o facto de não haver, nas letras, muitas menções ao imaginário gay.

Happy Tom “explica” Scandinavian Leather: “A visão para o disco partiu de um padrão de datas com o número 3: Detroit ’73, Los Angeles ’83 e Estalinegrado ’43.”.

A capa é desenhada por Klaus Voorman, o desenhador da capa de Revolver dos Beatles.

Rui Quintela
(Mondo Bizarre # 15)