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TWILIGHT SINGERS
ENTRE O DIA E A NOITE
Filho pródigo do génio criativo Greg Dulli (ex-líder dos extintos Afghan Whigs) e amigos, eis que finalmente nos surge este “Twilight”, um dos mais fantásticos e injustamente ignorados discos de 2000. Vale sem dúvida a pena rendermo-nos à viciante sedução desta atormentada viagem por trilhos amorosos mas perversos. Preparados?

Algures no longínquo ano de 1997 em New Orleans, Dulli, Shawn Smith (Satchel, Pigeonhed) e Harold Chichester (Howlin’ Maggie) criavam entre copos e discussões belas melodias, as quais apenas viram a luz do dia no transacto ano 00. Entretanto os Twilight Singers brigaram de vez, e devido a conflitos editoriais, o álbum ficou na prateleira durante 3 anos. É então que Dulli limpa o pó às gavetas e decide entregar o material de “Twilight” ao duo inglês Fila Brazilia, o qual acrescenta uma batida aqui e além, dando uma refrescante nova roupagem às canções. Eis então nos escaparates “Twilight”, melancólica e perversa jornada pelo atormentado universo amoroso de Dulli, que se desenha entre a obscuridade de trips solitárias e nostálgicas, a sedução de ritmos r&b, e soul e a fragilidade acústica das guitarras. A acrescentar a isto temos subtis mas soturnas batidas, e um magnifico cruzamento vocal que se triparte em corrosão, sensualidade e um tom angélico. Todo o álbum anda em redor do conceito “twilight”, essa zona intermédia entre o dia e a noite, onde Dulli tenta arranjar um meio-termo para a intensidade de um mundo de rejeição, dor e perversão próprias de uma relação obsessiva. A partida é feita então no triste “Twilite Kid”, passando pela beleza acústica sofrida de “How that Bird Sings” e pela provocante sensualidade de “Clyde”. “Love” é uma bela serenata em jeito confessional, a que se segue a corrosão de “Annie Mae” e o contagiante “Verti-Marte”. Depois do desespero quase religioso de “Into the Street”, chegamos ao nosso destino no fantástico tema final “Twilight”, de onde nos advém um enorme sentimento de esperança face a esse cenário quase que trágico.

Vale sem dúvida a pena mergulhar nesta belíssima viagem sonora, a qual comove até as mais frias pedras da calçada!

Ana Gandum
(Mondo Bizarre # 6)