WEEZER
PELA ESTRADA FORA
Banda de culto do rock alternativo americano, os Weezer regressam em 2001 com um novo disco: "The Green Album". Enquanto fora de portas são tratados como estrelas, Portugal insiste em deixar passar despercebido aquele que será um dos concorrentes ao disco do ano.
Já há alguns anos que o nome dos Weezer vagueava pela minha cabeça, ao lado de várias bandas que conhecemos de nome mas de quem nunca se ouviu nada. Não foi preciso muito para ficar conquistado depois de assitir à actuação deles nos MTV Music Awards. O tema chamava-se "Hash Pipe" e era o primeiro single de "The Green Album".
A sonoridade dos Weezer pode ser descrita como heavy-power-pop, ou mesmo uma mescla de Beach Boys com uma muralha de guitarras. Liderados por Rivers Cuomo, um "geek" de aspecto franzino, que sabe como escrever boas canções certeiras. Daquelas que conseguimos decorar fácilmente a letra sem fazer grande esforço. Depois de terem saboreado o êxito em 1994, com o homónimo disco de estreia, vulgarmente intitulado "The Blue Album", a banda passa por uma fase menos boa até à edição de "Pinkerton", um disco mais conceptual onde Cuomo se revela mais na sua escrita, uma táctica que aparentemente não agradou aos fans. Foram precisos cinco anos para que a banda saísse da sombra e voltasse às edições. No entanto, o primeiro passo da reconquista foi dado o ano passado, quando a banda regressou aos concertos com uma digressão esgotada, nos Estados Unidos, de costa a costa em grandes salas. Produzido por Ric Ocasek, o lider dos Cars que já tinha trabalhado com a banda anteriormente, "The Green Album" é um disco recheado de boas canções, podendo sem nenhum pretensiosismo serem editados dez singles dos dez temas que compõem o disco e que raramente ultrapassam os três minutos. Pequenas jóias com o tempo de exposição certo, perfeitas para tocar na rádio ou passar na televisão. No fundo o que mais importa aqui são as canções que Rivers Cuomo escreve com uma mestria pouco usual nos dias que correm. Da simplicidade faz o ingrediente principal para cozinhar cada tema como se fosse a sua última criação, para que tudo ficasse perfeito, como se a alma de Brian Wilson ou Roy Orbinson tivessem tomado forma no corpo de um rapaz franzino e óculos com problemas em arranjar namoradas e que, em alternativa, escreve canções de amor.
Hugo Moutinho
(Mondo Bizarre # 8)
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