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WU-TANG CLAN
HERÓIS DE SHAOLIN
O clã dos soldados-monges-rappers, regressam em força com toda a sua mística oriental e urbana, dedicado a um membro ausente. É o regresso Wu-Tang Clan, as super estrelas Shaolin.

Porque é que se fala dos Wu-Tang? São apenas mais uma banda vistosa do hip-hop mainstream de renome internacional que já conta com uma legião de fãs admirável, um recorde de vendas e um império musical que abrange dezenas de grupos, emcees e deejays. E depois?

Será porque que surgiram em 1993, do nada, com uma ambição muito além do sistema que então reinava de gangsta gap californiano? Ou porque uma banda que compunha nove membros (mais tarde dez) tiveram a ousadia de exigir um contracto que os vinculasse a uma editora como conjunto, mas lhes desse liberdade de escolher labels individuais para os projectos a solo logo em início de carreira? Vejam lá que num meio em que se difundia o ideal de pistoleiro do Oeste, andavam a fazer demonstrações de Kung-Fu na MTV. E até acreditavam que abafariam o West Coast Rap com samples de filmes de artes marciais de Hong Kong e uma teimosa rebuscagem de estilos old-school nas suas produções e rimas.

E o resultado? Gangstas de LA e companhia tiveram que aceitar derrota perante a horda wu-tangiana saídos das 36 câmaras de Shaolin (Staten Island) e colocar-se apenas no seu lugar espacio-musical. Nascera uma nova dinastia. Um movimento sem igual na história do hip-hop surgiu, lançando em poucos anos, dois álbuns e outros projectos a solo que dispararam para o super estrelato. No cimo desta organização, RZA ganhava o respeito de produtores de vários meios musicais, cientes do seu papel de timoneiro desta fusão imaginária de gangstas e samurais, ninjas e muçulmanos com abelhas assassinas africanas pelo meio.

Os Wu-Tang instalaram-se como uma sub-cultura musical universal, sempre em expansão e reflectida nos vários trabalhos que produziram e patrocinaram. Vamos encontrá-los também na BD, no cinema e até na Playstation. Os guerreiros e monges, artistas lançados pelos Wu-Tang Clan são muitos, mas agora regressa o panteão principal, a Enéade composta por Rza, Method Man, Inspectah Deck, U-God, Raekwon, GZA, Masta Killa, Capadonna e Ghost Face Killah. O quarto álbum denominado apenas “The W”, revelam uns Wu-Tang Clan mais confiantes do que nunca, certos do seu papel no mundo musical e artístico manchado apenas pela prisão do co-fundador e excêntrico Old Dirty Bastard.

Vasco Rebelo
(Mondo Bizarre # 6)